Você é você? A unico quer ampliar o reconhecimento facial no combate a fraudes

Você é você? A unico quer ampliar o reconhecimento facial no combate a fraudes

Por Rui Maciel | 29 de Abril de 2021 às 12h55
Divulgação / unico

Ainda que o reconhecimento facial sofra críticas por questões de privacidade, principalmente quando falamos de seu uso no setor de segurança pública (principalmente em câmeras de vigilância), uma coisa é fato: essa tecnologia veio para ficar. E seu potencial de crescimento é promissor. Segundo um relatório recente da empresa de pesquisas de mercado Technavio, o setor cresceu 6,94% em 2020 e estima-se que ela cresça  mais 12% ao ano entre 2020 e 2024, faturando US$ 3,35 bilhões mundo afora. 

Isso porque, ainda que essa tecnologia apresente problemas quando falamos de vigilância pública, ela é considerada uma das mais seguras formas de autenticação biométrica, graças a sua capacidade de incorporar características físicas e comportamentais dos usuários final, que são quase impossíveis de falsificar. Com isso, espera-se que seu uso seja fortemente expandido ainda mais em setores como varejo, financeiro, jogos online, serviços públicos e muitos outros que envolvem o uso de dados sensíveis. 

E de olho em uma fatia desse bolo está unico (ex-Acesso Digital), IDtech brasileira especializada no desenvolvimento de soluções de proteção de identidade digital. Fundada em 2007, a empresa está em mais de 400 companhias de todos os portes, nos mais diversos setores: indústrias, e-commerce, varejistas, fintechs, financeiras, entre outros.

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Além disso, os executivos da unico afirmam que ela não atua em governo, vigilância ou qualquer tipo de monitoramento destinado à segurança pública. Logo, seus produtos são totalmente direcionados para as relações entre pessoas e empresas. E é nesse vasto setor que a companhia quer popularizar sua tecnologia de reconhecimento facial para evitar o maior número possível de fraudes envolvendo roubo de identidades. 

E para explicar o potencial da tecnologia de reconhecimento facial - que pode ser integrada até mesmo no uso de chatbots -  e quais os mercados ela pode se expandir (sem vigiar ninguém), o Canaltech conversou com Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico.

Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico. (Foto: divulgação)


Confira como foi o papo:

Canaltech - De forma geral, como funciona a tecnologia de reconhecimento facial da unico?

Marcelo Zanelatto: A unico é a primeira e maior IDTech brasileira de soluções de proteção de identidade digital. A startup oferece uma solução de reconhecimento facial para identificar a pessoa por trás de uma operação. A partir de uma selfie, faz a análise dos pontos da face e entrega aos clientes em segundos um score com a probabilidade de a pessoa ser ela mesma. Assim, impede que criminosos munidos de nome e CPF possam, por exemplo, solicitar um cartão de crédito ou fazer uma compra em nome de alguém. 


CT - A tecnologia de reconhecimento facial já existe há algum tempo, mas seu uso ainda não se massificou como esperávamos no setor bancário ou varejo, por exemplo. O custo dela ainda é um impeditivo se comparado a outras formas de identificação biométricas?

M.Z.: Não, o custo não é um impeditivo, pois a própria unico oferta uma solução de qualidade e referência no mercado por um custo competitivo. 

Um dos pontos que podemos afirmar é a necessidade de mudança de comportamento da sociedade. Este fator reflete no aumento de fraudes virtuais. 

É importante que as empresas pensem na prevenção e ofereçam segurança aos seus clientes no uso de um novo aplicativo ou serviço. O reconhecimento facial auxilia nesse processo, protegendo as pessoas de serem vítimas de golpes, pois o rosto é único, e as empresas, que são informadas da possibilidade de uma operação fraudulenta.


CT - Que vantagens a tecnologia de reconhecimento facial oferece em relação a outras tecnologias biométricas de identificação? Ela já é segura o suficiente para ser usadas em certificados digitais, por exemplo, para validar processos mais delicados como escrituras de imóveis, procurações, entre outros?

M.Z.: Sim, a biometria facial é uma das soluções, se não, a mais segura do mercado. Principalmente, quando utilizada junto à solução de assinatura eletrônica. É um combo de tecnologia e segurança para as empresas de todos os setores, principalmente varejistas, fintechs, de comércio eletrônico e financeiras. 

As vantagens são a assertividade, melhor custo benefício, praticidade e facilidade no uso. A partir do momento que a empresa passa a utilizar essa solução, ela imediatamente já traz a inovação para os processos. É de fácil manuseio e não precisa de treinamentos de dias para que as equipes as utilizem. É rápida, eficiente e muito segura.

Além disso, ela oferece uma ‘camada extra’ de proteção, os aplicativos de mensagens e o próprio SMS podem ser utilizados para validar as operações. 


CT - O governo federal vem investindo na digitalização dos serviços públicos a partir do portal Gov.br. Tecnologias de reconhecimento facial como a da unico tem potencial de crescimento para uso nesse setor? 

M.Z.: Sim. A digitalização dos serviços traz uma facilidade muito grande para a população, mas também traz desafios de identificar corretamente a pessoa, de forma rápida e assertiva. E esse é um dos maiores valores entregues pela unico hoje no setor privado. Conseguimos através de tecnologia, autenticar os brasileiros de forma segura e extremamente veloz, trazendo uma experiência melhor aos usuários dos serviços digitais e evitando golpes e fraudes.

O mercado de reconhecimento facial tem potencial de fatuamento de até US$ 3,35 bilhões até 2024



CT - Startups como fintechs ou proptechs já digitalizam boa parte de seus processos junto aos seus clientes, mas também estão mais suscetíveis a golpes. Como o reconhecimento facial pode ajudar a diminuir as tentativas de fraudes?

M.Z.: A pandemia acelerou a migração de meios de pagamento e muitas outras transações para o digital. Com isso, muitas empresas e consumidores perceberam as vantagens desses serviços, como a segurança e a praticidade. Neste cenário, cresceu também o uso de soluções de biometria e autenticação de identidades por reconhecimento facial pois elas asseguram empresas e consumidores.

Em recente estudo proprietário da unico, vimos que nos primeiros três meses de 2021, foram validadas 37 milhões de transações. Desse montante, foram identificadas 313.705 transações fraudulentas, em que uma pessoa tenta se passar por outra. Em valores, os prejuízos evitados às empresas e danos aos consumidores foram de mais de R$ 7,84 bilhões. Para efeito de comparação, o volume de transações fraudulentas registradas no mesmo período do ano passado foi de 48.211.

Em 2020, mais de 67 milhões de validações de identidade foram feitas, ou seja, o volume do primeiro trimestre corresponde a 55% do total do ano passado. A alta vem sendo registrada pela unico também no que diz respeito ao comparativo de 2019 para 2020, com um crescimento de 86% nos pedidos de autenticação entre os dois anos. 

Todo esse montante reflete a capacidade tecnológica e assertiva de atuar como uma das melhores soluções antifraudes para as empresas e consumidores.


CT - Como funciona essa camada extra de proteção da tecnologia de reconhecimento facial da unico? Como ela funciona junto a apps de mensagens e chatbots?

M.Z.: Como mencionei na resposta anterior, além de toda a segurança própria da solução biométrica, a unico fornece ainda uma ‘camada extra’ de proteção. Sendo os aplicativos de mensagens e o próprio SMS ferramentas que podem ser utilizados para validar as operações. 

Esta autenticação é feita com a integração da solução de reconhecimento facial aos chatbots. No momento de conclusão, a empresa pode ter a confirmação da identidade do comprador ao enviar um link ou QR Code com as instruções para a selfie.


CT - E como a tecnologia de reconhecimento facial da unico lida com os dados biométricos que são armazenados por sua tecnologia? Como eles são armazenados e protegidos de acordo com a LGPD?

M.Z.: Desde 2018, a unico já atua dentro das regras da Lei Geral de Proteção de Dados. Mesmo antes de ser obrigatório, já sabíamos da responsabilidade e o quanto esses dados devem estar protegidos.

Além da implementação das melhores práticas de segurança e criptografia dos dados (at-rest e in-transit) nos bancos de dados como separação de responsabilidades, menor privilégio e auditoria de acessos, também investimos em capacitação das pessoas da empresa, gestão de vulnerabilidades e monitoramento contínuo (interno e externo).

Arquiteturalmente usamos isolamento físico da camada de dados de acordo com o cliente, o que nos permite flexibilidade e controle de acesso mais apurado entre as instâncias (multi-tenant). Autenticação e autorização são baseadas nas melhores práticas do mercado usando as chaves de acesso gerenciadas pelo provedor de cloud (IaaS), bem como os certificados de SSL.

Por fim, mas não menos importante, implementamos security-by-design e privacy-by-design durante todo o desenvolvimento do produto e de features, além de testes internos de segurança do redteam da unico com foco em melhoria contínua.

Seguimos as práticas recomendadas pela LGPD como a ISO 27.001 como base para nossa infraestrutura de segurança. 


CT - Existem países e/ou empresas fora do Brasil que são referência no uso da tecnologia de reconhecimento facial?


M.Z.: Vemos países como a China, extremamente avançada nestas tecnologias, e a Estônia, país em que a unico se inspirou para criar o conceito de IDTech e trazê-lo, de maneira pioneira, para o Brasil.

A Estônia serviu de laboratório para a unico, pois é um dos países mais inovadores no quesito identificação digital do mundo. Lá, desde a década de 1990, cada cidadão tem seu ID para fazer diversos tipos de operações sem ter que se deslocar ou assinar documentos em papel.


CT - E qual é o futuro da tecnologia de reconhecimento facial? Que novos usos podemos esperar dela para os próximos anos?

M.Z.:
Acreditamos que cada pessoa é única, e que seu rosto é a única chave que você precisa para ter acesso a tudo o que você tem direito. Vemos o reconhecimento facial fazendo cada vez mais parte do nosso dia-a-dia, e isso tende a se intensificar devido aos benefícios da tecnologia.

Qualquer interação que você possui com alguma empresa, onde tem que apresentar documentos para comprovar que você é você, inserir cartões, senhas, chaves, etc - tudo isso vai ser substituído pelo reconhecimento facial. Afinal de contas, quem tem direito de entrar na sua casa? Você ou um pedaço de metal? Quem possui o crédito? Você ou um cartão plástico? É uma tecnologia que veio para ficar e para tornar nossas vidas mais simples e seguras!

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