União Europeia anuncia possível banimento de produtos Kaspersky

Por Felipe Demartini | 18 de Junho de 2018 às 10h46
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Depois dos sérios problemas enfrentados nos Estados Unidos, agora é a vez de a Kaspersky aparecer na mira da União Europeia. Uma moção votada como favorável pelo bloco na última semana taxou como “maliciosos” os produtos de segurança da companhia, em um movimento que pode levar ao banimento dos softwares da marca na região, que busca uma maior segurança de seus sistemas e proteção contra ciberataques.

O parlamento foi rápido em afirmar que não existe uma ameaça em andamento, categorizando a União Europeia no nível dois em uma escala de zero a cinco na qual o maior número também significa o grau mais elevado de perigo. Ainda assim, na ação liderada pelo representante Urmas Paet, a ideia é tomar uma postura “proativa” diante do perigo digital. “Apenas se defender não é suficiente”, afirma o texto, que propõe como uma das medidas uma análise completa dos softwares usados por braços governamentais e a exclusão daqueles considerados perigosos.

É aqui que a Kaspersky acaba sendo citada nominalmente. Essa noção tem a ver, provavelmente, com as atitudes de governos como os da Holanda e do Reino Unido, que já tomaram ações legais e atitudes de proibição contra os softwares de segurança da marca, assim como os Estados Unidos, Israel e outros membros da comunidade internacional. O motivo seria a associação entre a companhia e o governo russo, o que faz com que o banimento seja aplicado apenas a órgãos governamentais, com venda ainda liberada para usuários finais.

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A notícia negativa mais recente veio do governo holandês, que em maio anunciou planos de remover completamente os produtos da Kaspersky de instalações e órgãos governamentais. Em dezembro, atitude semelhante foi tomada pelo Reino Unido, que anunciou o banimento dos softwares de qualquer braço oficial com caráter “secreto” ou “de interesse para o governo russo”. A restrição vale não apenas para máquinas dos próprios servidores, mas também equipamentos pessoais que possam conter as soluções instaladas.

É uma medida semelhante a que foi tomada pelos Estados Unidos, que não apenas proibiu a presença de antivírus, firewalls e outros softwares de proteção da Kaspersky no interior de suas instalações, como também baniu computadores, smartphones e outros dispositivos de marcas chinesas. Apenas suspeitas de associação entre tais nomes e os governos de seus respectivos países já foram suficientes para que o governo Trump os considerasse ameaças à segurança nacional.

Um dos principais argumentos vem de Israel, com um relatório oficial afirmando que softwares de proteção da Kaspersky estariam sendo usados pelo governo russo para coleta e envio de informações confidenciais a servidores remotos. Antes da publicação, os serviços de segurança do país teriam entrado em contato com a fornecedora, que forneceu explicações "pouco suficientes", o que acabou gerando um alerta quanto ao caráter potencialmente perigoso das soluções.

A Kaspersky, claro, nega qualquer associação com o Kremlin e, diante das acusações cada vez mais constantes e em um número cada vez maior de países, lançou uma campanha de transparência. A ideia é desfazer o que considera serem atitudes injustas da parte de governos internacionais, além de garantir a seus usuários corporativos e finais que seus dados estão seguros e não existem motivos para desconfiança.

Em declaração oficial ao site The Register, o fundador e CEO da companhia, Eugene Kaspersky, considerou a moção da União Europeia extrema e disse que não existem saídas para a empresa a não ser tomar atitudes igualmente drásticas. Por fim, a companhia confirmou a intenção de acionar a União Europeia judicialmente para reverter a proibição. O executivo disse que a empresa tentou trabalhar com as autoridades para evitar esse fim, mas que, durante todo o tempo, se viu obrigada a se defender de rumores, sem sucesso.

Por fim, ele ainda demonstrou confiança em seus próprios produtos e iniciativas, afirmando que, na tentativa de impedir ataques, a União Europeia está abrindo as portas para o crime digital. Ele lamentou a decisão do bloco, pois ela também significa a interrupção de projetos de segurança em andamento, por exemplo, com a Europol, que já tiveram resultados positivos confirmados. Para Kaspersky, a medida enfraquece o portfólio de proteção dos países e facilita a atividade dos hackers que permanecem, sempre, de olho nos dados governamentais que, agora, estão menos protegidos.

Fonte: The Register

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