Twitter vendeu dados públicos de usuários para a GSR, empresa de Aleksandr Kogan

Por Jessica Pinheiro | 30 de Abril de 2018 às 12h01
photo_camera Divulgação

O Facebook não é a única rede social que pode vender dados públicos de seus usuários para empresas de pesquisas. Enquanto a grande rede social está envolvida no escândalo da Cambridge Analytica, o Twitter entregou informações públicas de seus usuários para a Global Software Resources (GSR) – empresa fundada por Aleksandr Kogan, que, por sua, vez é a mente responsável pela criação de ferramentas de coleta e análise de perfis de eleitores na internet. Segundo informações do Telegraph, os dados foram vendidos pela rede de microblogging em 2015.

Ao que parece, a GSR teria pagado por um dia de acesso à base de dados do Twitter a fim de coletar uma amostra aleatória de tweets públicos, os quais iam de um período entre dezembro de 2014 a abril de 2015. De acordo com o Twitter, em uma nota publicada pelo site Bloomberg, nenhum acesso a informações privadas foi encontrado.

Kogan insiste que os dados obtidos foram usados para criar relatórios de marcas e pesquisar ferramentas de extensão, e, portanto, nenhuma política de privacidade do Twitter foi violada. Muito embora grandes conjuntos de dados sejam particularmente úteis para coletar opiniões públicas e verificar a receptividade a certas ideias e temas, ainda assim o Twitter proíbe empresas de os utilizarem para derivar informações políticas confidenciais.

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Um porta-voz da rede de microblogs confirmou a informação e disse que o “Twitter também tomou a decisão política de excluir publicidade de todas as contas de propriedade, ou operadas pela Cambridge Analytica. Essa decisão é baseada em nossa determinação de que a Cambridge Analytica opera usando um modelo de negócios que conflita intrinsecamente com práticas comerciais aceitáveis do Twitter Ads”. Além do mais, a publicação também afirma que, de acordo com as regras, a entidade permanece sendo um usuário da rede social.

Segundo a empresa, não é permitido “inferir ou derivar informações confidenciais, como raça ou afiliação política, ou tentativas de combinar os dados do Twitter de um usuário com outros identificadores pessoais”, e que, para evitar isso, existiam funcionários policiando isso de maneira rigorosa.

Por outro lado, um representante da Cambridge Analytica chegou a dizer que a empresa usou o Twitter para publicidade política, mas que o projeto com a GSR que visava os dados obtidos da rede social nunca foi empreendido. O porta-voz ainda acrescentou que a “Cambridge Analytica é uma agência de marketing orientada por dados e não por visões políticas manipuladas”.

Em uma conversa com o Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esporte na última semana, Kogan disse que a GSR foi criada em 2014 unicamente para reunir conjuntos de dados para a Strategic Communication Laboratories (a SCL Group, que é filiada da Cambridge Analytica). Em 2017, as vendas de dados geraram US$ 333 milhões (mais de R$ 1 bilhão em conversão direta) de receita para o Twitter – cerca de 13% de suas vendas totais.

Fonte: Telegraph, Engadget, The Register

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