Teclado virtual vazou dados de 31 milhões de usuários

Por Redação | 06 de Dezembro de 2017 às 09h42

577 GB. Essa é a quantidade de dados do mais recente vazamento de informações na internet, desta vez atingindo a desenvolvedora de teclados virtuais ai.type. De acordo com as informações da imprensa internacional, 31 milhões de usuários viram dados pessoais como nomes completos, e-mails, datas de instalação do app e localização geográfica caindo na internet.

Outros dados vazados incluem, ainda, a marca e modelo dos smartphones utilizados, o provedor de internet e o endereço IP usado na data do acesso, bem como detalhes sobre a conexão, se acontecia por Wi-Fi ou redes móveis, por exemplo. Já seria ruim o suficiente se parasse por aí, mas uma análise mais profunda dos dados vazados sugere, também, que a empresa responsável pela solução estaria espionando seus usuários.

Isso porque, junto ao vazamento, também aparecem links para perfis do Google, datas de nascimento, gênero e fotos de perfis, além de números telefônicos teoricamente obtidos a partir da agenda de contatos dos usuários e listas de outros aplicativos instalados no mesmo aparelho. Todas informações às quais, em teoria, o ai.type não deveria ter acesso.

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A maior parte do vazamento estaria ligado aos usuários de versões “freemium” do teclado, ou seja, aquelas que podem ser baixadas gratuitamente, mas contam com menos funções – e maior índice de telemetria enviada aos desenvolvedores. É justamente deles que grande parte do volume de dados estaria sendo coletado e enviado para um banco de dados online. O erro é que a infraestrutura não estava criptografada nem exigia uma senha para acesso, o que, em teoria, permitia que qualquer usuário com o endereço certo pudesse navegar, baixar e até deletar o que estava salvo por lá. Para um hacker com um mínimo de conhecimento, seria fácil copiar tudo e liberar na internet.

Os dados revelaram, ainda, que os usuários da versão iOS do ai.type estão seguros, com os dados estando relacionados apenas a utilizadores da versão Android. Informações de pagamento e dados bancários também não fazem parte do volume de dados, pois, conforme a empresa explicou, esse tipo de coisa não é armazenada em seus servidores justamente por uma questão de segurança.

A ai.type, entretanto, não revelou porque informações de localização e perfis de usuário estavam presentes em seus servidores. Em comunicado oficial, o criador do aplicativo, Eitan Fitusi, disse apenas que a companhia não espiona seus usuários e que todos os dados presentes no banco de dados estavam lá para fins de cadastro ou melhoria da aplicação.

É o caso, por exemplo, de registros de digitação – que não fazem parte do vazamento. Fitusi diz que tais métricas são enviadas de volta aos servidores da ai.type para o desenvolvimento de inteligências artificiais melhores, que facilitem a digitação. Entretanto, isso acontece sem que as palavras possam ser rastreadas de volta a quem as escreveu, servindo apenas para fins estatísticos e de evolução da plataforma.

Bastante popular, principalmente na Europa, o ai.type conta com mais de 40 milhões de usuários. Ele funciona mais ou menos como outras soluções do mercado, apresentando previsões, correções e temas, além de poder ter sua posição na tela customizada. O diferencial da solução é, justamente, seu sistema de inteligência artificial baseado na nuvem, com a empresa prometendo uma adaptação mais veloz ao estilo de cada cliente e também uma melhoria constante e geral na qualidade do app.

Caso você seja um usuário do ai.type – ou de qualquer serviço que já tenha sido alvo de vazamentos desse tipo – o ideal é trocar, principalmente, sua senha. Evite usar a mesma credencial em mais de uma plataforma, mas caso tenha feito isso, também modifique o método de acesso a todas elas, usando uma variação para cada uma. Grandes campanhas de invasão costumam acontecer após vazamentos desse tipo e, dessa forma, você mantém outros perfis seguros contra a ação de hackers.

Outro reflexo bastante comum de situações desse tipo são os e-mails falsos, enviados para os endereços revelados, muitas vezes se passando até pela própria empresa vitimada. Sempre desconfie de links enviados por correio eletrônico e evite clicar em sites enviados desta maneira, principalmente se eles exigirem dados adicionais, pois pode se tratar de uma campanha de infecção ou um golpe.

Fonte: ZDNet

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