Ransomware: brasileiros pagam resgate, mas poucos conseguem reaver arquivos

Por Ramon de Souza | 07 de Abril de 2021 às 20h20
Getty Images

Muito se fala a respeito dos impactos dos ransomwares dentro das empresas — porém, não podemos nos esquecer jamais de que esse tipo de ameaça também atinge pessoas físicas. Pensando nisso, a Kaspersky realizou um levantamento e descobriu uma triste estatística: por mais que mais da metade (56%) das vítimas paguem o resgate cobrado pelo cibercriminoso, apenas três em cada dez internautas conseguem efetivamente a devolução dos arquivos sequestrados. Isso prova que tal pagamento costuma ser dinheiro gasto à toa.

Ransomwares, vale lembrar, são vírus de computadores (malwares) utilizados para extorquir os alvos. Ao infectar a máquina, ele utiliza criptografia para trancar completamente o acesso a quaisquer documentos armazenados no computador — incluindo fotos, vídeos e músicas. Teoricamente, a única forma de reaver o acesso aos seus preciosos conteúdos é pagando um resgate em dinheiro, cujo valor varia bastante de acordo com a variante do ransomware contraída. O pagamento, porém, é sempre realizado com moedas digitais.

De acordo com os especialistas, pagando ou não, só 16% dos brasileiros conseguem reaver acesso aos seus arquivos; mais de 80% dos infectados sofrem perdas, sendo que 44% deles é incapaz de recuperar “uma quantidade significativa” de documentos, 20% perdem uma quantidade pequena e outros 16% perdem todo o seu computador de forma permanente. Também é curioso perceber que a faixa etária dos 35 aos 44 anos é a que mais paga resgates (65%); internautas acima de 55 anos costumam ignorar o sequestro.

“Sempre recomendamos que a vítima de um ataque de ransomware não pague o resgate, pois o pagamento não garante a devolução dos dados. Na verdade, ao efetuá-lo, observamos o efeito contrário, pois o criminoso saberá que os arquivos são valiosos e isto motivará que eles ataquem a mesma vítima seguidamente. Nosso estudo reforça exatamente esta recomendação, uma vez que apenas 29% dos brasileiros conseguiram seus dados de volta”, explica Fabiano Tricarico, diretor de consumo da Kaspersky LATAM.

Imagem: Reprodução/stokkete (Envato)

A companhia orienta que os internautas nunca paguem pelos resgates e tentem descobrir qual é o nome do ransomware que os infectou, já que existem ferramentas gratuitas na web que podem ajudá-lo a quebrar a criptografia de forma caseira. Além disso, para evitar infecções, evite clicar em links ou baixar anexos em e-mails recebidos (especialmente de remetentes desconhecidos), jamais insira mídias removíveis estranhas em seu PC (incluindo pendrives encontrados na rua), use um antivírus e faça backup de seus arquivos.

“Precisamos mudar a mentalidade do consumidor. Quando ele é vítima de um golpe como este, 56% decidem pagar pelo resgate. Não seria mais vantajoso investir na proteção do dispositivo e na cópia de segurança dos dados? Impedir o ataque ou fazer que ele não seja lucrativo é a melhor maneira de fazer quem que os criminosos percam o interesse neste golpe”, conclui o executivo.

Fonte: Kaspersky

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