Polícia invade funerária para desbloquear celular com digitais de morto

Por Felipe Demartini | 23 de Abril de 2018 às 12h12

A família de Linus F. Phillip, um homem de 30 anos morto pela polícia no final de março, acusa os oficiais de abuso de autoridade ao, entre outras ações, tentarem desbloquear o aparelho da vítima usando suas impressões digitais sem autorização. A alegação faz parte de uma série de indicações de conduta violenta e ilegal por parte dos agentes da cidade de Largo, no estado americano da Flórida.

A situação teria ocorrido no final de semana de 24 de março, após a liberação do cadáver para sepultamento. De acordo com os familiares de Phillip, policiais teriam entrado sorrateiramente na funerária, enquanto o corpo estava sendo preparado, e tentado utilizar suas digitais para desbloquearem seu telefone celular pessoal, algo que seria ilegal sem a emissão de um mandado judicial. A prática, porém, vem se tornando comum entre forças da lei nos EUA e Europa.

O caso vem levantando polêmica desde o final da tarde da sexta, dia 23 de março, quando o homem foi abatido a tiros. De acordo com a polícia, ele foi abordado pois seu carro, que seria alugado, tinha janelas insufilmadas acima do tom máximo permitido por lei. Em vez de o pararem, porém, os oficiais o seguiram até um posto de gasolina, onde ele parou para abastecer. Foi lá que a morte aconteceu.

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Os policiais afirmam ter sentido cheiro de maconha. Ao ser confrontado com isso, Phillip teria entrado no carro e tentado fugir, arrastando um dos oficiais, Matthew Steiner, que estava verificando o interior. Foi ele quem efetuou os disparos que acertaram o homem, cujo veículo continuou se movendo, atingindo outro veículo e parando ao colidir contra uma barreira protetora na saída do posto de gasolina. De acordo com o legista, a vítima foi atingida por seis tiros, todos nas costas.

Linus Phillip (à esquerda) foi morto com seis tiros nas costas durante abordagem policial, agora, questionada pela família (Imagem: Daily Mail)

O relato, porém, não faz sentido para a família da vítima, que o descreve como alguém calmo e que jamais reagiria violentamente a uma abordagem, mesmo que tivesse culpa. Além da atitude em si, a polícia afirma ter encontrado pedras de crack, cocaína e US$ 1,5 mil no veículo de Phillip, que já havia cumprido duas penas de prisão por tráfico de drogas e estava em liberdade condicional.

Além disso, o caso aconteceu no aniversário de um ano da morte de sua filha, que faleceu com um ano e meio de idade após sofrer com leucemia desde o nascimento. Phillip deixa para trás mais um filho, de um ano e quatro meses, motivo pelo qual os familiares também acreditam que ele não reagiria, sob pena de deixar a criança desatendida.

Agora, os familiares exigem a liberação de vídeos da câmera de segurança do posto de gasolina onde o incidente aconteceu, principalmente depois da alegação dos oficiais de que o equipamento presente no veículo de patrulha estava desligado. A alegação é de que Steiner e seu companheiro teriam agido com violência demasiada, além de tentarem ocultar provas, plantar evidências e descumprir o direito ao sigilo da vítima como forma de encontrarem motivos para justificarem os próprios atos.

Depõe contra a ação, ainda, o fato de uma das testemunhas no local ter afirmado ao advogado da família que só viu o carro de Phillip se movendo após os disparos serem efetuados. Já o tenente da polícia de Largo, Randall Chaney, afirma que o circuito interno do posto não flagrou o momento dos disparos e não poderia comentar sobre o possível acontecimento dentro da funerária.

A família de Phillip, agora, considera a abertura de um processo contra a cidade de Largo, além de exigir que os dois policiais envolvidos no caso sejam afastados e indiciados. Por outro lado, apesar de o acesso ao corpo por oficiais após a liberação pelo legista ser proibido por lei, não existem normas relacionadas ao acesso a propriedades de uma vítima após seu falecimento. De acordo com as leis americanas, mortos não podem ter posses, algo que estaria garantindo a ocorrência cada vez mais crescente do uso de digitais de cadáveres para desbloqueio de celulares e computadores durante investigações.

Fonte: Tampa Bay Times, Daily Mail

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