Os computadores de Vladimir Putin ainda rodam no Windows...XP (!?)

Por Rafael Arbulu | 19 de Dezembro de 2019 às 10h45

Nem mesmo o perigo à segurança nacional impede que a Rússia justifique tudo com política: em foto recente, tirada pela mídia estatal do Palácio do Kremlin, os computadores usados pelo presidente russo Vladimir Putin — em sua residência em Novo-Ogaryovo e no gabinete presidencial — ainda rodam no Windows XP.

O uso de um sistema operacional já obsoleto possui um pano de fundo político: o XP foi a última versão do sistema operacional da Microsoft que teve permissão da Rússia para rodar em computadores mais próximos das chefias de Estado. Versões subsequentes só foram adotadas em máquinas sem acesso a segredos de segurança nacional: atualmente, computadores comuns do funcionalismo público russo rodam no Windows 10. As máquinas com o Windows XP rodando, porém, resguardam documentos importantes, como arquivos do Ministério da Defesa e práticas militares.

O problema: desde abril de 2014, a Microsoft deixou de oferecer suporte ao Windows XP, tornando-o vulnerável a ciberataques. Foi o caso de um hospital australiano em 2016, que teve todos os seus processos sequestrados por hackers após estes identificarem o uso do sistema obsoleto nas máquinas da instituição. Ademais, vários caixas eletrônicos no mundo — incluindo alguns no Brasil — ainda se valem desse sistema operacional antigo para operar.

Jogando Paciência? O presidente russo Vladimir Putin foi clicado pela agência de mídia estatal do país recentemente, onde a foto mostra que o computador do chefe de estado ainda roda no Windows XP (Imagem: Divulgação/Kremlin.ru)

No caso da Rússia, porém, todas as máquinas com Windows rodam uma versão modificada do XP. Então derrubar a sua segurança não deve ser o mesmo que atacar um computador pessoal com o mesmo sistema.

Vale lembrar, porém, que a Rússia como um todo está aos poucos se desvinculando do uso de sistemas do Google e da Microsoft: em maio deste ano, o governo russo começou a instalar o Astra Linux, uma versão do Linux desenvolvida no próprio país e que é derivada do Debian. Além disso, a cúpula estatal ordenou a políticos do alto escalão que acessem a internet apenas por navegadores considerados confiáveis, como o Yandex. Putin, asseguram seus assessores, não é muito fã de “surfar na web”, haja vista que o presidente russo desconfia da internet global como um todo, tendo, inclusive, referido-se a ela como “um projeto da CIA” no passado.

Ele não está de todo errado, aliás: a precursora da internet como a conhecemos se chama ARPANet, um projeto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Mas isso já é outro assunto.

Fonte: The Guardian; ZDNet

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