Operação contra Maduro: ataque hacker pode ter causado apagão na Venezuela
Por Jaqueline Sousa • Editado por Jones Oliveira |

A operação dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pode ter usado recursos cibernéticos para facilitar a ação realizada em Caracas.
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A possibilidade foi levantada após uma coletiva de imprensa em que o presidente Donald Trump insinuou que “uma certa expertise” foi usada durante a operação. A “expertise” em questão pode ter relação com o Comando Cibernético dos EUA e outras agências, que supostamente teriam ajudado a cortar a energia na área da operação militar.
“Estava escuro. As luzes de Caracas estavam praticamente apagadas devido a uma certa expertise que temos”, Trump comentou.
Por outro lado, os especialistas ressaltaram que o grau de envolvimento dos Estados Unidos nesse quesito ainda é uma incógnita, alertando para conclusões precipitadas.
Envolvimento nebuloso
Segundo o Dark Reading, a rede de monitoramento NetBlocks chegou a registrar uma perda de conexão da internet em algumas partes da capital venezuelana no momento em que a operação estadunidense acontecia no país, com cortes de energia. Contudo, Alp Toker, diretor da plataforma de análise, afirmou que isso não quer dizer que um ciberataque tenha ocorrido de fato.
“Nossa telemetria de Caracas na noite da operação não expõe ou sugere o uso de qualquer tipo de capacidade cibernética específica”, Toker diz. O especialista ainda comentou que as falhas de telecomunicações podem ter sido consequência de explosões e não de uma “força cibernética” maior.
Apesar disso, o histórico dos EUA em ocorrências cibernéticas contra outros países (como em 2010, quando EUA e Israel atacaram um processador nuclear do Irã com um malware) fez muita gente desconfiar do caso, especialmente porque a ação para capturar Maduro contou com envolvimento de agências americanas que já realizaram operações do tipo no passado, como a Agência Central de Inteligência (CIA), a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o próprio Comando Cibernético dos EUA. Detalhes sobre a atuação de cada uma, porém, não foram revelados.
O que foi confirmado até o momento é que houve uma “sobreposição” de medidas diferentes para “criar um caminho” para que a operação fosse concretizada pelos EUA, segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos.
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