O que torna a internet (in)segura?

Por Colaborador externo | 01 de Março de 2018 às 06h55

* Por Cassio Brodbeck 

A forma como as pessoas usam a internet e o conhecimento que possuem sobre esse recurso ainda são preocupantes. Uma recente pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “PNAD Contínua TIC 2016: acesso à Internet e à televisão e posse de celular para uso pessoal”, registrou que um total de 63,4 milhões de pessoas com faixa etária superior aos 10 anos de idade informaram não usar a web. Destes, 37,8% disseram que não sabem usar e outros 37,6% que não se interessam pelo recurso. Esses dados podem ser usados como ponto de partida para pensar sobre a utilização da internet, positiva e negativamente, e de que forma o desconhecimento em seu uso agrava fatores como a segurança da informação.

O ano de 2017, por exemplo, foi marcado por uma série de incidentes globais e em massa envolvendo sequestro de dados e pedidos de resgate dessas informações - orquestrado a partir de ransomwares como o Petya, Bad Habbit e WannaCry. E a tendência é que se tornem cada vez mais frequentes e sofisticados, de modo que é urgente uma reflexão acerca de como o fator humano ainda é o elo mais vulnerável da cadeia. Passível, portanto, de sofrer ou provocar algum tipo de ameaça, seja em uma rede de acesso à internet corporativa ou doméstica.

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Ainda que seja óbvio, o uso inadequado da internet impacta diretamente a segurança da informação, em um contexto pessoal ou profissional, e continua a ser um fator negligenciado. Pode gerar danos não apenas a um usuário, mas a um grupo deles quando se pensa em uma organização com inúmeros colaboradores e que usam diariamente as mesmas redes de acesso a web. Além dos ataques, fatores como fake news, a circulação de e-mails com malwares ou que levem a pessoa a clicar em um link com conteúdo malicioso são crescentes. Um relatório divulgado pela G Data informa que a cada quatro segundos um malware, ou variante, é criado. A última estimativa era de que 7,4 milhões de ameaças estão em circulação na rede.

Embora a sociedade seja constantemente alertada sobre uma série de problemas relacionados ao uso inadequado da internet, os usuários continuam a ser vítimas. Ou seja, a educação digital ainda é uma necessidade. Muito além de saber abrir um navegador, usar softwares de edição de texto, redes sociais ou simplesmente saber digitar, a educação com um viés para o uso adequado dos dispositivos digitais deve compreender tanto esses conceitos básicos quanto aqueles mais complexos, como a programação. Entender os riscos potenciais acerca da utilização da internet é um aprendizado que deve ser constantemente atualizado, especialmente para especialistas. Em um contexto no qual há uma crescente virtualização de uma série de processos, entender a tecnologia - e a internet faz parte desse universo - é importante em uma perspectiva de médio e longo prazo.

Os usuários precisam entender que aqueles que agem de forma ilícita, como é o caso dos cibercriminosos, atacam três pilares básicos: sociedade em si, entidades públicas e, por fim, organizações privadas. Ainda que seja difícil conhecer integralmente as formas, seguras ou não, para o uso da internet, a educação digital deveria ser algo aplicado desde os anos iniciais das pessoas e perpassar toda sua vida, com acesso a atualizações constantes de informação, tanto numa perspectiva educacional quanto profissional.

O uso da tecnologia é um caminho sem volta e a internet não é utilizada apenas em dispositivos como computadores, tablets e smartphones. Já é encontrada em eletrodomésticos como televisores e geladeiras, e até mesmo em automóveis. A questão é que diariamente é alimentada por uma série de dados, inclusive aqueles mais sensíveis como informações bancárias. O fato é que ninguém deseja ser alvo de uma ameaça que deixe vulnerável a segurança da sua informação ou de pessoas e negócios relacionados a si. Eis, então, a necessidade de refletir sobre o uso da internet e o que deve ser feito para prevenir e manter a segurança dos dados. 

* Cassio Brodbeck é CEO da OSTEC Business Security e especialista em segurança virtual corporativa

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