Nova York aposenta cão-robô policial após reações negativas da população

Nova York aposenta cão-robô policial após reações negativas da população

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 29 de Abril de 2021 às 16h25
Reprodução/NY Post

A ideia de ter um cão-robô como integrante das forças de segurança não agradou a população de Nova York, nos EUA. Depois de enfrentar uma reação negativa dos moradores, o departamento de polícia da cidade tirou o Digidog das ruas.

A máquina futurista de quatro patas foi desenvolvida pela Boston Dynamics e estava em fase de testes para a implantação em situações de risco, onde pudesse proteger os policiais. “Este cachorro vai salvar vidas e proteger as pessoas no futuro”, disse o inspetor Frank Digiacomo quando a máquina foi apresentada.

Repercussão negativa

No começo do mês, o cão-robô foi filmado durante uma ação da polícia em resposta a uma invasão domiciliar em Manhattan e o vídeo viralizou nas redes sociais.

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Depois que representantes do conselho municipal de Nova York solicitaram os registros de compra do equipamento, a polícia anunciou que o contrato com a Boston Dynamics, no valor de US$ 94 mil (cerca de R$ 500 mil), foi cancelado no dia 22 de abril.

A repercussão do caso foi tão ruim, que o vereador Ben Kallos disse que o cão robótico parecia ter saído do episódio “Metalhead” da série Black Mirror de 2017.

Militarização ou futuro

A implantação do Digidog em ambientes civis foi vista como uma militarização desproporcional e cara para o uso policial. Mesmo assim, o vice-comissário de inteligência e contraterrorismo de Nova York, John Miller, defendeu a implantação do cão-robô. Segundo ele, equipamentos robóticos já são usados por unidades especializadas, como o esquadrão antibombas, há pelo menos 50 anos.

O executivo da Boston Dynamics, Michael Perry, argumentou que cerca de 500 cães robóticos estão nas ruas em todo o mundo. Segundo ele, a maioria é usada por empresas de serviços públicos, em canteiros de obras e outros ambientes longe de situações perigosas, e apenas quatro unidades estão alocadas em departamentos de polícia.

“Nossos robôs não foram projetados para serem usados ​​como armas, infligir danos ou intimidar pessoas ou animais", disse Michael Perry.

Tecnologia e segurança pública: polêmicas 

Além do uso de robôs pelas forças policiais, a implantação de sistemas de segurança baseados em reconhecimento facial também é alvo de muitas críticas. Nos EUA, as cidades de Somerville e San Francisco proibiram os órgãos governamentais de usarem esse artifício em câmeras públicas.

Uma lei local proíbe a polícia de usar a tecnologia para monitorar a população pelas ruas dessas cidades em tempo integral.

O uso do reconhecimento facial pelas forças de segurança é uma atividade que vem sendo alvo de duras críticas por parte de ativistas, políticos e cidadãos do país norte-americano. O estado da Califórnia também pretende abolir o uso desses sistemas até o final do ano.

Reconhecimento facial não está livre de falhas (Imagem: Reprodução/Biometric Update)

Existem diversas pesquisas que já enfatizam os riscos de uma vigilância por meio de reconhecimento facial, incluindo um estudo do MIT que mostra que a tecnologia ainda é falha ao diferenciar fisionomias similares, em especial rostos femininos e de pessoas não brancas.

E as polêmicas envolvendo tecnologia e segurança não são exclusividade dos EUA. No mês passado, o Exército Britânico anunciou que pretende substituir 10 mil soldados humanos por robôs. A ideia é atualizar as tropas eletrônicas em preparação para uma possível guerra cibernética.

Especialistas recomendam cautela com a introdução de um arsenal tecnológico no combate ao crime. Robôs, algoritmos e inteligência artificial não estão livres de enganos ou erros de julgamento. O cinema já mostrou, por diversas vezes, que nem sempre essa mistura acaba bem, principalmente para o lado dos humanos.

Fonte: The New York Times

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