Internet segura: falta muito para o Brasil chegar lá?

Por Colaborador externo | 03 de Março de 2020 às 12h48

*Por Henrique Lopes

Em fevereiro se comemorou a Internet Segura, uma inciativa que visa conscientizar usuários e empresas sobre como utilizar a Internet em segurança. E como o Brasil está entre os 140 países que adotam essa campanha global, gostaria de começar o texto com a seguinte reflexão: será que a internet no nosso país é, de fato, segura? Minha resposta: em algum lugar do mundo ela é? Nem mesmo em regimes autoritários e ditaduras, onde ela é cerceada e censurada, ela está imune a receber ataques.

O Brasil figura mal – 56ª posição – no "National Cyber Security Index", um ranking global para avaliar a situação digital de países. O site tem uma ferramenta de comparação interessante, e o Brasil figura atrás de países como Índia, Rússia e China, e perto do Paquistão. No ano passado, ficando somente nos ataques mais ventilados pela mídia, sofremos bastante com vazamento de dados, phishing, roubo de identidade e clonagem do WhatsApp.

E não é por falta de investimento. Pesquisas do Gartner, principal consultoria global em Tecnologia da Informação, indicam que, até 2023, os investimentos em cibersegurança deverão crescer aproximadamente 40% no Brasil. Só em 2019, os gastos gerais com segurança aumentaram 10,5%, ultrapassando os R$ 124 bilhões.

Temos diversas e acessíveis tecnologias que podem nos auxiliar, no entanto, a segurança depende de um conjunto de fatores como: campanha de conscientização dos usuários, investimento em softwares genuínos, adição de ferramentas de controle baseados em comportamento dos usuários, aumento do nível de segurança adicionando múltiplos fatores de autenticação etc.

O grande desafio para garantir a confiabilidade não está em complexas e custosas arquiteturas de segurança, mas, sim, muito mais direcionado ao usuário e o seu comportamento. Se as pessoas não tiverem rotinas seguras, como, abrir ou clicar em algo malicioso, por exemplo, os danos podem ser extremamente impactantes ao ambiente computacional, ou seja, na grande maioria dos ataques bem-sucedidos, o principal ofensor é o próprio usuário-alvo.

Duvide das facilidades e grandes oportunidades, ao receber um e-mail, mesmo que de pessoas conhecidas, verifique as informações de origem. Utilize antivírus de qualidade, que possua técnicas avanças de proteção e seja recomendado pelo Gartner. Além disso, mantenha todas as ferramentas e o sistema operacional continuamente atualizados. Uma internet segura não tem segredo, basta ser cauteloso.

*Henrique Lopes é gerente Comercial da NetSecurity, empresa especializada em Segurança da Informação.

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