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Homem é detido 4 vezes por engano devido a erro em câmeras do Smart Sampa

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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ElasticComputeFarm/Pixabay
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Um erro no sistema de câmeras do Smart Sampa, programa de reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, fez com que o coordenador de departamento pessoal Ailton Alves de Sousa, 41, fosse detido por engano quatro vezes como um foragido da Justiça em um período de sete meses.

Morador de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, Ailton foi levado à delegacia por policiais equivocadamente como suspeito de cometer um homicídio no estado do Mato Grosso. Segundo informações do g1, ele afirmou que nunca esteve no local.

“Eles me levaram na viatura. A primeira pergunta que o delegado me fez foi: você já foi para o Mato Grosso? Eu disse que não, e foi aí que começou toda essa situação”, contou Ailton a respeito do caso.

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Quatro vezes detido por engano

Afirmando que vive com medo de ser abordado e constrangido pela situação novamente, Ailton relatou que, na primeira vez que foi detido, estava dentro de casa. Depois disso, mais três abordagens foram feitas: uma no trabalho, outra numa corrida de rua e novamente quando ele levava a mãe ao hospital.

A ida ao hospital, realizada na última segunda-feira (23), foi a última vez que Ailton foi detido pelas autoridades. Os policiais chegaram a fazer uma tentativa de busca durante a madrugada, mas o morador de Heliópolis não atendeu ao chamado.

Por outro lado, o fato é que as quatro detenções equivocadas por causa do erro no sistema das câmeras poderiam ter sido evitadas, caso os detalhes tivessem sido observados. Um deles tem relação com o nome do verdadeiro suspeito, cujo sobrenome é “Souza” com a letra “z”, enquanto o Sousa do paulistano é com “s”.

Outro ponto que poderia ter evitado a detenção incorreta é o sobrenome das mães de ambos, que embora tenham nomes iguais, possuem sobrenomes diferentes. Há também uma diferença de idade entre os dois: enquanto o Ailton inocente nasceu em 1984, o foragido nasceu em 1972.

Vale mencionar ainda que não há registros fotográficos do suspeito nos mandados de prisão que foram expedidos no Mato Grosso.

Resposta das autoridades

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Apesar de Ailton ter solicitado a exclusão de seus dados no sistema da Smart Sampa à Prefeitura, o pedido não foi deferido, provocando novas abordagens equivocadas.

Em comunicado à imprensa, a Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que notificou o Conselho Nacional de Justiça para providenciar a remoção dos dados de Ailton do sistema.

Já a prefeitura afirmou que “não houve qualquer falha no funcionamento do programa Smart Sampa” e que a abordagem da polícia ocorreu de “forma regular” após um alerta do sistema.

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Fragilidade no sistema de reconhecimento facial

O caso de Ailton acendeu novamente uma polêmica voltada para a atuação das câmeras do Smart Sampa. Um estudo do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN), por exemplo, apontou algumas inconsistências no sistema de vigilância da prefeitura, com fragilidades estruturais e resultados questionáveis encontrados.

De acordo com a pesquisa, o sistema não parece estar gerando resultados concretos para a segurança pública do município, apresentando prisões indevidas por causa de erros e riscos à privacidade dos cidadãos.

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Identificou-se ainda que pelo menos 23 pessoas foram levadas erroneamente para delegacia devido a problemas no reconhecimento facial, enquanto 82 foram presas e liberadas. Também há uma falta de transparência na divulgação dos dados, com classificações nem um pouco detalhadas para justificar a ocorrência, de acordo com a análise.

Firmada em 2023, a atuação do Smart Sampa conta com até 40 mil câmeras espalhadas pela cidade, gerando um custo mensal de R$ 9,8 milhões.

Fonte: g1 e Agência Brasil