Entenda como a polícia de Los Angeles usa Big Data para prever crimes

Por Jessica Pinheiro | 23 de Maio de 2018 às 11h53

Antecipar crimes não é mais uma abordagem apenas de obras de ficção científica. O Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), por exemplo, está tentando prever onde uma tragédia vai acontecer, bem como identificar quem serão os supostos criminosos nesse evento futuro. Para tanto, os policiais utilizam Big Data e análise de dados de crimes e detenções anteriores.

O método conhecido como Operação LASER, iniciado em 2011, visa destrinchar informações sobre infratores em um período de até dois anos, usando tecnologia desenvolvida pela empresa de análise de dados Palantir para classificar os indivíduos com base em suas fichas criminais, agregando pontos para o cálculo base. Na prática, isso significa que, caso a pessoa tenha sido membro de uma gangue, ganha cinco pontos, e se estiver cumprindo liberdade em condicional, ganha mais cinco. Além disso, toda vez que for abordado por oficiais da polícia na rua ou for visitado por um em sua residência, pode angariar ainda mais pontos.

Quanto mais pontos o indivíduo tiver, maior a probabilidade de ele ser classificado em um Chronic Offender Bulletin, uma lista de pessoas que, segundo dados coletados, correm mais riscos de reincidir crimes e devem ser observadas atentamente. Embora alguns moradores de Los Angeles acreditem que essa abordagem, intitulada de policiamento preditivo, possa ajudar a reduzir ocorrências; os defensores dos direitos civis não enxergam bem assim.

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O outro lado da moeda

Para esses defensores, toda essa tecnologia sofisticada pode ser apenas um lembrete de racismo em muitos casos. De acordo com Jamie Garcia, voluntário do grupo de defesa Stop LAPD Spying Coalition, “o algoritmo sempre ampliará o sistema em que está e, se o sistema for tendencioso, é injusto, [pois] o algoritmo replicará isso”.

A equipe de Garcia publicou recentemente documentos sobre como o programa LASER funciona, algo que até então era desconhecido pelo público. Depois, eles entraram com uma ação contra o LAPD. O processo ainda está em andamento, ao passo que o grupo busca ainda mais transparência do sistema de justiça criminal. As ações reveladas dos oficiais de polícia incluem decisões de fiança e sentenças e até transferência de presos, desviando-os para serviços de saúde mental – tudo isso decidido pelos algoritmos da tecnologia usada na operação.

Além do LASER, o LAPD também está usando um software chamado PredPol para antecipar crimes contra uma propriedade, analisando os tipos de crimes que foram cometidos em uma determinada área, bem como o horário e a localização em que aconteceu, para então determinar se e/ou quando outra ocorrência provavelmente ocorrerá no mesmo local. Os mapas analisados pela tecnologia são atualizados diariamente; a partir dos hotspots determinados pelos algoritmos, os policiais são fortemente encorajados a patrulharem o lugar em questão.

Se por um lado isso é bom para certas comunidades, uma vez que só o aumento na frequência da circulação da patrulha ajuda a impedir ocorrências em áreas de alta criminalidade; por outro os residentes desses hotspots alegam se sentirem alvos com a presença constante da polícia nas proximidades.

Segundo Jim Bueermann, presidente da Police Fundation, um grupo sem fins lucrativos, “faz sentido a polícia concentrar recursos limitados em áreas e pessoas problemáticas, mas eles devem agir com cautela porque o policiamento americano tem um histórico de abuso dessa noção de coleta de inteligência doméstica”. Ele ainda acrescenta que “há uma linha tênue entre ser inteligente e afirmar que um criminoso sempre será um criminoso. As pessoas mudam”.

Fonte: Wired, CBS

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