Deep Web recebe regulamentação oficial

Por Redação | 12.09.2015 às 11:45

Parece que os dias em que a Deep Web é enxergada apenas como um local escuro, sombrio e cheio de bandidos está chegando ao fim. Reconhecendo que a web “oculta” é uma necessidade constante, instituições de regulação da internet reconheceram os domínios .onion, tornando-os exclusivos da rede Tor e garantindo que eles sejam tratados como endereços “especiais”.

O parecer foi emitido pela IANA e pela ICANN, duas organizações responsáveis por regulamentar a utilização da internet e a atribuição de endereços para as páginas. Elas reconheceram a necessidade de uma rede anônima, para uso em países onde a liberdade de informação é restrita, e também como uma forma de garantir a segurança de delatores, que possam aproveitar a segurança incrementada da Deep Web para fazer denúncias e trazer segredos que possam ser de interesse do público.

A mudança também garante proteção contra o sequestro de endereços. Na onda dos domínios distintos, com finais diferentes dos tradicionais .com ou .org, por exemplo, existia um temor de que, em algum momento, as portas para o .onion fossem abertas na rede tradicional, o que poderia enlouquecer navegadores e dificultar o acesso aos sites. Com a exclusividade dessa atribuição para a rede Tor, isso não pode mais acontecer.

Mais do que isso, a regulamentação também garante uma diferenciação entre endereços legítimos que estejam na Deep Web e domínios criminosos, como os serviços de venda de drogas ou tráfico de pessoas que tornaram essa versão da rede tão notória. Com a legitimação, sites poderão solicitar certificados de segurança e aplicar novos protocolos de proteção de informação, tornando o ambiente como um todo muito mais seguro.

Alguns sites, como as versões do Facebook ou do The Intercept disponíveis na Deep Web, já haviam obtido certificados, mas fizeram isso a partir de seus endereços na superfície. Para as organizações envolvidas, se trata de um novo compromisso com a privacidade e a segurança, além da garantia de que exista uma rede oculta e que sirva aos propósitos de propagação de informação, da forma segura e anônima que todos os seus usuários desejam.

Fontes: Internet Engineering Task Force (Facebook), Motherboard