Criminosos usam celulares clonados para invadir contas bancárias

Por Redação | 09 de Agosto de 2017 às 11h29
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Imagine acordar um dia e perceber que sua conta bancária está completamente limpa, com todo seu dinheiro transferido para um desconhecido. É o que está acontecendo com as vítimas de um golpe em franca ascensão no Brasil, no qual bandidos utilizam celulares clonados para aproveitarem brechas em sistemas de internet banking, roubando dinheiro a partir de aplicativos bancários.

O golpe começa com a obtenção do número de celular de alguém, que acaba sendo registrado em outro chip. Após a ativação, os criminosos baixam aplicativos bancários e, se obtiverem acesso, realizam transferências, muitas vezes de milhares de reais, para contas ligadas ao esquema.

As vítimas costumam ser clientes que não utilizam serviços de internet banking. Além disso, há indícios de que indivíduos de dentro das operadoras de telefonia também estejam envolvidos na operação, uma vez que outros dados dos usuários são necessários para que aconteça uma ativação de internet banking. Os criminosos, assim, acabam tendo acesso a tokens, códigos de segurança e outros dados que acabam permitindo o acesso irrestrito às contas.

Muitas vezes, os atingidos só percebem o que está acontecendo quando recebem ligações do banco para confirmação da transação, ou, pior ainda, quando acessam a conta e percebem a ausência de fundos. Um gigantesco problema que, muitas vezes, pode não ter solução nem ressarcimento pela instituição bancária.

A polícia do Paraná está investigando uma das quadrilhas que aplicam golpes desse tipo, com as informações indicando que os criminosos operam a partir da cidade de Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo. Mas esse é só um dos principais grupos do tipo, pois os golpes por comprometimento de celulares aumentaram 55% apenas nos últimos três meses.

Tais ocorrências, junto aos downloads de aplicativos falsos para roubo de informações e invasões a serviços e contas, já constituem 15% de todos os cibercrimes realizados no Brasil. Essa modalidade está na segunda posição do ranking nacional, ficando atrás apenas dos e-mails falsos que chegam com o mesmo intuito: ludibriar as vítimas para que entreguem seus dados para os criminosos.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras do país investem R$ 2 bilhões todos os anos em segurança. Além disso, a organização diz trabalhar junto às empresas para mitigar riscos e garantir maior proteção, mas lembra, por outro lado, que o comportamento dos usuários também é importante para reduzir os casos de fraude.

Já o sindicato das empresas de telecomunicações não comentou a possibilidade de funcionários das operadoras estarem envolvidos em golpes desse tipo. Por outro lado, afirmou que as companhias do setor também investem em segurança e que, em casos como este, acabam sendo tão vítimas das fraudes quanto os próprios consumidores.