10 dicas para você não cair em golpes ao buscar um empréstimo online

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 12 de Julho de 2021 às 19h20
Canaltech

Parece um ótimo negócio: um empréstimo com taxas melhores e mais facilidade de pagamento em que todos os processos são feitos online. Quando a operação ocorre em empresas idôneas, realmente pode ser uma boa ajuda. Por outro lado, se envolver golpistas, se transforma em um grande prejuízo.

Com o acesso à internet cada vez mais presente no país, 82,7% dos domicílios nacionais já estão conectados segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representa um aumento de 3,6 pontos percentuais em relação a 2018.

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E, com acesso online à maioria das atividades, muita gente praticamente não frequenta mais estabelecimentos convencionais. “No caso dos empréstimos, as fintechs conseguem personalizar as taxas de juros, a partir do comportamento do cliente. Nos bancos, é tudo mais padronizado”, diz Nayra Bruno, head de operações da fintech Open Co.

A fintech de crédito pessoal Simplic aponta que, em 2020, durante a pandemia, houve mais de 1,2 milhão de pedidos de empréstimo. Antes de fazer a transação, entretanto, é preciso ficar atento. “É importante apostar em empresas com credibilidade no mercado antes de contratar um serviço”, alerta Thaíne Clemente, executiva de estratégias e operações da empresa.

E por que alguém ofereceria um crédito falso a um cliente? Afinal, é o consumidor que está em busca de dinheiro. “Esses golpistas cobram taxas antecipadas inexistentes e, claro, jamais liberam crédito ao interessado. É assim que eles ganham dinheiro”, explica Nayra. “As taxas existem, mas jamais são cobradas antes de o cliente receber o dinheiro emprestado. Elas são pagas após a concessão do crédito e cobradas nas parcelas.”

Imagem: Reprodução/Pixabay/Joel santana Joelfotos

Então, vale a pena saber como evitar ser vítima de criminosos em uma situação como essa. Reunimos aqui algumas das principais dicas para quem pretende buscar e contratar um empréstimo online. Veja a seguir!

1. Pesquise sobre a empresa

Essa ação pode evitar a maioria dos golpes. Pesquisar a empresa em um mecanismo de busca ajuda a encontrar dados como endereço fixo e contato oficial, bem como fotos e comentários de clientes. “Outra dica é olhar as redes sociais oficiais da instituição e sites como Reclame Aqui, para ter certeza de que ela existe”, ensina Thaíne. “Contas recentes, com poucos seguidores e que oferecem soluções milagrosas devem acender um alerta”, completa Nayra.

2. Escolha sites de confiança para simular o empréstimo

Alguns pequenos detalhes podem ajudar a evitar ser vítima de fraude. Primeiramente, confira o endereço eletrônico do site: é importante que o início tenha as letras https (não apenas http). Além disso, vale observar se há o símbolo de um cadeado: se ele estiver lá, significa que o site é seguro e tem seus dados criptografados.

Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

3. Não divulgue seu pedido em redes sociais

Quem expõe dados em público está sujeito a abordagens maliciosas. Se estiver em busca de empréstimo pessoal, busque se comunicar com a companhia por meios seguros e privados — como os canais oficiais oferecidos pela empresa que vai prestar o serviço.

4. Não forneça dados pessoais pelas redes sociais

Lembre-se de que nessas plataformas os posts são públicos. Dados como endereço, telefone e documentos pessoais não devem ser expostos nesses ambientes. Os fraudadores podem usar essas informações para atuar como se falassem em nome de uma empresa ou mesmo para aplicar outros golpes. Não é à toa que 92% dos brasileiros temem pela segurança de seus dados no ambiente virtual, segundo pesquisa do Datafolha encomendada pela Mastercard.

Nayra diz que todo o recebimento de material e as análises de crédito são feitos diretamente em sites oficiais e aplicativos. “O envio de documentos sempre é feito pela plataforma da instituição. Não envie nada por e-mail, por WhatsApp ou em comentários ou mensagens privadas de redes sociais”, destaca. “Cadastro e aprovação são automatizados. Fazer tudo no ambiente da companhia é um bom indício de que se está no caminho certo.”

5. Não faça nenhum depósito antecipado

Fintechs legítimas não pedem depósito adiantado, já que essa ação é ilegal e não permitida pelo Banco Central do Brasil (Bacen). “Se a empresa está pressionando muito, exigindo rapidez no fechamento do contrato, também pode ser um sinal de golpe”, comenta Thaíne.

Imagem: Reprodução/Pixabay/Joel santana Joelfotos

Nayra lembra que os golpistas são envolventes. “O contato é muito convidativo e tudo é feito de forma fluida: eles contam que o crédito foi aprovado, que só é preciso assinar o contrato e enviar os documentos para concluir a transação”, diz. “Quando chega à suposta última etapa, eles informa que há um bloqueio e que é preciso fazer um pagamento para liberar o empréstimo. Não pague!”

Quando o cliente decide não pagar, é comum que seja ameaçado pelos criminosos: segundo eles, como já assinou o contrato, o consumidor precisa pagar as taxas extras. “Não existe contrato que obrigue a pagar taxas antecipadas de crédito. Eles assustam o consumidor com promessas de negativação do nome, mas isso é ilegal.”

6. Fique atento a agiotas

Outra dica é ficar de olho no contato de possíveis agiotas. Eles entram em contato com o cliente e oferecem meios mais rápidos de empréstimo, que muitas vezes podem ser golpe.

Lembre-se de que, para terem garantias de que serão pagas, as instituições pesquisam o histórico de crédito do cliente a partir de seu CPF. Promessas de empréstimo sem essa verificação devem ser vistas com cautela. “Há empresas que pedem o pagamento de taxas para aumentar score, por exemplo. Isso é outra ilegalidade”, aponta Nayra.

7. Não pague parcelas em contas de pessoas físicas

Nenhuma instituição financeira séria utiliza contas bancárias de indivíduos para solicitar depósitos. Esse é outro sinal claro de que quem está solicitando os valores é um golpista.

Imagem: Reprodução/Envato/thananit_s

Existem casos de criminosos que oferecem ganhos altos em juros e pedem que o cliente faça um empréstimo para usar o dinheiro nessas operações. “Eles dizem que vão investir o montante com um lucro maior e que, além de pagar a mensalidade para o cliente, vão lhe dar um excedente”, explica Nayra.

Ela ressalta que a responsabilidade do empréstimo é do consumidor que assinou o contrato com a empresa. “A instituição vai cobrar o cliente, mesmo que ele tenha transferido o dinheiro para outra pessoa. Essa ambição pode colocar o interessado em uma situação difícil.”

8. Não informe senhas de contas bancárias

A contratação de empréstimos online não exige que o cliente informe suas senhas bancárias. Por mais convincente que seja a justificativa do suposto agente para solicitar essas senhas, jamais as divulgue.

9. Preste atenção ao tirar dúvidas na internet

Procure tirar dúvidas apenas nos canais oficiais da instituição, como site, chat do aplicativo e telefones de contato. “Não hesite em esclarecer dúvidas, mas o faça sempre em canais oficiais”, lembra Nayra. As redes sociais não são recomendadas, pois podem ser usadas por golpistas que tentam atrair o cliente com falsas soluções de crédito.

10. Fui vítima, e agora?

O primeiro passou nesse caso é registrar um Boletim de Ocorrência (BO). A partir dele, o caso pode ser investigado pelas autoridades. Para isso, junte provas (comprovante do depósito, prints da tela do site que ofereceu o empréstimo e de conversas no WhatsApp, em redes sociais ou por e-mail e outros) e procure a autoridade policial (pessoalmente ou online).

Imagem: Reprodução/Envato/puhimec

Em seguida, recorra ao seu banco para tentar cancelar a transferência enviada para o golpista. Além disso, entre em contato com o banco do criminoso para comunicar a ocorrência da fraude. Há chances de que o gerente bloqueie a conta dele e, se ela tiver sido criada com documentos falsos ou adulterados, de que o valor seja ressarcido.

Se o golpe tiver começado com “phishing”, deve ser denunciado ao Google. Isso pode ajudar a evitar que haja outras vítimas. Além disso, é importante comunicar o Procon, para que ele notifique a empresa golpista, caso ela realmente exista. Se não conseguir retorno, procure a Justiça, por meio da defensoria pública ou de um advogado particular, para saber quais são as opções.

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