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Como magnet links, mirrors e dark web mantêm sites piratas no ar

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Unsplash/David Trinks
Unsplash/David Trinks

Vários casos famosos de combate à pirataria deixam bem claro para as autoridades que não é fácil derrubar sites e iniciativas clandestinas: muitas vezes, apagar domínios sequer afeta a operacionalidade dos repositórios. Anna’s Archive e streamings como o Stremio estão aí para provar isso.

Como, então, os sites piratas conseguem contornar processos, bloqueios e queda de infraestrutura, mesmo sendo feitos repetidas vezes?

Nesta matéria, vamos mergulhar nas táticas dos piratas para escapar da lei e descobrir porque é tão difícil acabar com a pirataria de vez.

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Derrubar um site é o mesmo que encerrar sua operação?

Tirar um endereço do ar, por mais definitivo que pareça, não é a mesma coisa que desmontar a estrutura por trás dele. Domínio, servidor e acervo são coisas diferentes: o primeiro conceito é relacionado ao que conhecemos como website, a parte que podemos ver, clicar e navegar.

O servidor é onde os dados estão armazenados, e, caso somente o domínio (como “sitepirata.com” ou “.org”) seja derrubado, os arquivos continuam lá. O acervo de arquivos piratas guardados no local, inclusive, pode ter backups e cópias em vários outros servidores e computadores locais, impedindo que os esforços atinjam todos, a menos que façam batidas policiais físicas.

Assim, a comunidade pirateira e os canais de redistribuição de torrents e arquivos clandestinos conseguem sobreviver por muito tempo: muitas vezes, só uma parte da cadeia é atingida, levando ao renascimento rápido da pirataria em questão.

Magnet links e torrents

Muitos sites de pirataria, como o The Pirate Bay, constroem uma infraestrutura leve justamente para facilitar a recriação de todo o site. No caso desse exemplo, são usados magnet links, ou seja, textos simples que indicam o endereço do torrent a ser baixado.

Sem arquivos de vários KB guardando a informação a serem hospedados, fica fácil replicar o site todo, que pesa menos de 100 MB.

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Hospedagem internacional e os limites da Justiça

Tecnologia e geopolítica estão fortemente relacionadas à pirataria. A internet é uma rede global de computadores, de fato, mas a aplicação das leis digitais é baseada em território. Isso quer dizer que uma decisão judicial ou lei nos Estados Unidos não vale para países como a Dinamarca, tornando difícil o cumprimento de uma ordem de derrubar um site hospedado no país estrangeiro, por exemplo.

Outra tática de evasão é a hospedagem de sites na dark web, em redes anônimas cujo rastreio se torna muito mais difícil. Sem saber onde está a infraestrutura real, o cumprimento da lei fica praticamente impossível de ser aplicado, ainda mais quando há migração constante dos arquivos.

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Por que prender alguém nem sempre resolve?

Em alguns casos, as autoridades conseguem localizar os servidores físicos ou os responsáveis pelo esforço de manter os repositórios clandestinos no ar e fazem batidas policiais, interrompendo as atividades de pirataria.

O problema é que vários hackers ou equipes de pessoas podem trabalhar nos serviços piratas, bem como podem deixar o código dos sites ou aplicativos aberto, dando margem para que outros continuem o trabalho de distribuição. É o caso do Popcorn Time, por exemplo.

Preço e demanda

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Somente a tecnologia atual, com as variedades de serviços de hospedagem, torrents e outras capacidades técnicas que permitem a pirataria não explicam a contínua existência dessas ações ilegais.

O preço alto dos serviços, excesso de assinaturas, paywalls, indisponibilidade regional, remoção de conteúdos e barreiras de acesso acabam gerando uma demanda, e onde há demanda, alguém fornece.

Bloqueios pontuais de sites e apps, então, nunca vão resolver a questão da pirataria definitivamente. Até que as grandes empresas busquem resolver problemas de proteção geográfica e disponibilidade mais acessível de seus serviços, a pirataria continuará viva, a despeito da perda de alguns servidores e prisão de hackers.