Como funciona o Golpe do Emprego de Meio Período?

Como funciona o Golpe do Emprego de Meio Período?

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 27 de Janeiro de 2022 às 21h20
Pixabay/DariuszSankoswki

Nos últimos meses, muitos brasileiros têm recebido mensagens SMS que tentam iniciar o chamado Golpe do Emprego de Meio Período, prometendo pagamentos na casa das centenas por dia. Embora a ameaça seja óbvia para várias pessoas, desperta a curiosidade.

O time da firma de inteligência em segurança AllowMe deu sequência à tentativa de golpe para entender como ele funciona. O primeiro contato ocorre via torpedo SMS, com a gramática alterada para burlar os sistemas de segurança das operadoras e um link direcionando para o WhatsApp, onde começa a abordagem. Vale ressaltar que os números são aleatórios, conseguidos por meio de dados vazados ou bases comercializadas na internet; esta não é uma ofensiva direcionada.

A mensagem que inicia o golpe. (Imagem: Divulgação/AllowMe)

O cenário, normal à primeira vista, muda quando detalhes da ocupação são explicados. Segundo o “entrevistador”, o trabalho será para ajudar empresas a melhorarem a reputação. O suposto ofício deverá ser feito pelo celular, e duraria de 10 minutos a 30 minutos. Então, o golpista afirma que vai enviar um link para a plataforma de efetivação, que é diferente daquela usada regularmente.

Em seguida, a vítima deverá se cadastrar e receberá R$ 5 em sua conta, o que seria o equivalente à primeira renda na plataforma. Caso o registro ocorra, o golpe tem seu real início.

O real funcionamento do golpe do emprego de meio período

Parte da interação com o golpista. (Imagem: Divulgação/AllowMe)

Após o cadastro, a real proposta do golpista é feita: ele quer que a vítima exerça uma função de “consumidor”, tendo de realizar compras de produtos pré-selecionados pela plataforma, o que trará um reembolso de R$ 30, além de uma comissão inicial de R$ 17,50. Após isso, o criminoso promete que para cada compra subsequente a vítima receberá uma gratificação de 30%.

O que acontece, então, é que a vítima é levada para uma plataforma em que, para aumentar a reputação de lojas, deve realizar compras. A primeira, de R$ 30, é realizada com os R$ 5 de saldo dados após o cadastro, e retorna R$ 25. O ciclo continua, até que o usuário tente sacar o montante acumulado para uma conta bancária.

Quando a tentativa de saque é realizada, a plataforma informa que é necessário cumprimento de um número X de tarefas, que virão na sequência, e exigem valores maiores de depósito, podendo chegar aos milhares de reais.

E assim vai ocorrendo. Sempre que a vítima quiser sacar o dinheiro receberá uma tarefa ainda mais cara para cumprir até ela perceber que aquilo se trata de um golpe e não conseguirá mais o dinheiro.

“É um golpe que tenta passar uma sensação de autenticidade, mas vale ressaltar que ofertas de emprego normalmente não são feitas dessa forma, principalmente se você não está esperando um contato ou não se cadastrou em uma vaga de emprego”, diz Gustavo Monteiro, Managing Director do AllowMe.

Insistência do golpista

Um dos comprovantes enviados pelo golpista. (Imagem: Divulgação/AllowMe)

Após ter identificado como o golpe funcionava, a equipe da AllowMe parou de interagir com o golpista. Porém, o criminoso continuou insistindo, mandando até mesmo comprovantes de saques de R$ 15 mil.

No fim, é importante não clicar nos links enviados via SMS para este golpe, evitando assim iniciar qualquer tipo de conversa com os bandidos.

“O ideal é não entrar em contato com o golpista e simplesmente ignorar essas mensagens. Além disso, fique atento e não preencha cadastros ou baixe aplicativos desconhecidos, já que o golpista terá em mãos dados importantes que podem ser usados até para outros golpes de engenharia social”, finaliza Monteiro.

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