Com aumento de crimes, motoristas do Uber criam táticas de segurança em SP

Por Redação | 14.10.2016 às 10:30

Motoristas do Uber estão com medo. Antes fosse somente pela ameaça vinda de taxistas preocupados com a concorrência em São Paulo. Agora eles se sentem cada vez mais na mira de criminosos armados.

Segundo eles, o número de assaltos aumentou em São Paulo após o aplicativo passar a aceitar pagamento em dinheiro, no fim de julho. Por proteção, muitos deles têm rejeitado corridas com esta forma de pagamento e também vêm formando grupos de WhatsApp para comunicar emergências e pedir ajuda a colegas.

Para se ter ideia do tamanho do problema, pouco depois da mudança, dois condutores do Uber foram mortos em tentativas de assalto na zona sul da capital, em um intervalo de menos de um mês. Osvaldo Modolo Filho, de 52 anos, foi assassinado por passageiros e Orlando da Costa Brito, de 60 anos, por criminosos em um semáforo.

Também na zona sul, o motorista Fábio Oliveira, de 40 anos, afirma que conseguiu fugir de um assalto na Vila Sônia. Ele ficou esperando cerca de dez minutos em uma praça deserta por uma passageira que nunca apareceu. "Dois caras saíram de uma viela e, quando viram que eu estava saindo, correram atrás do carro."

Agora, ele evita aceitar chamados em dinheiro. 'Quando estou a 1 km, eu aciono a corrida e aparece a forma de pagamento. Se não tiver contato, eu cancelo."

Ajuda por WhatsApp

Oliveira também administra um grupo de WhatsApp para motoristas do Uber, uma forma encontrada para tentar dar mais segurança aos condutores. Antes, o aplicativo era usado para "emboscadas" de taxistas, mas a finalidade mudou.

Os motoristas divulgam informações sobre passageiros suspeitos e comunicam aos colegas quando estão em situação de risco. O parceiro manda a localização e um áudio rápido sobre o que está acontecendo e quem tiver perto vai para lá", diz o condutor Nelson Bazolli, que participa de seis grupos. "Já fui socorrer um amigo que sofreu um assalto e entrou em pânico", conta.

Motoboy há 30 anos, Sérgio Firmino, de 50, virou uma espécie de "consultor" de outros colegas do Uber. Por WhatsApp, ele orienta os amigos sobre locais perigosos e corridas suspeitas. "Como eu conheço a cidade, procuro ajudar os motoristas menos experientes. Não é qualquer lugar que dá para entrar", afirma.

Em nota, o Uber afirma que oferece pagamento em dinheiro para tornar a plataforma "cada vez mais democrática e inclusiva", uma vez que nem todos os passageiros têm cartão de crédito ou débito. A empresa também diz que "trabalha com as autoridades para esclarecer qualquer incidente".

Segurança

Também em nota, a Polícia Civil esclareceu que os roubos contra motoristas da empresa são investigados pelos DPs das áreas em que acontecem, como ocorre com todos os casos dessa natureza. A empresa tem colaborado com investigações sempre que acionada.

Ainda de acordo com a polícia, foi instaurado inquérito policial no 48.º Distrito Policial (Cidade Dutra) para investigar a morte de Orlando da Costa Brito. Sobre a morte de Osvaldo Luís Modolo Filho, o crime foi esclarecido e os dois acusados, presos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Exame