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Cibersegurança é estar sempre um passo à frente

Por Redação
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Por Penny Lane, vice-presidente do Programa de Disrupção de Fraudes de Pagamentos da Visa

Quando me apresento, geralmente as pessoas associam meu nome à música dos Beatles. Assim como a letra que retrata a rua da cidade inglesa de Liverpool onde tudo acontece, minha vida também é repleta de fatos marcantes. Depois de trabalhar, durante 13 anos, como matemática criptológica sênior no Departamento de Defesa da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos fui para a Visa, onde hoje lidero cinco equipes formadas por 28 especialistas em fraudes – além dos escritórios regionais pelo mundo como, por exemplo, no Brasil.

Posso dizer que todo dia é uma surpresa porque não sabemos o que vai acontecer. Alguns dias parecem tranquilos e, de repente, sabemos de um novo ataque e temos que agir rapidamente. Por isso, nosso objetivo é ser proativo. Mais do que uma caça de gato e rato, o desafio é se antecipar às estratégias dos hackers e criar obstáculos para eles. Minha equipe é capaz de identificar um ataque que está prestes a acontecer em qualquer parte do mundo e pará-lo imediatamente para proteger os dados de emissores, adquirentes, estabelecimentos comerciais, empresas, bancos e consumidores.

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As fraudes nos sistemas bancários, por sinal, podem levar mais de três meses para se concretizarem. Minha equipe acompanha cada movimentação dos hackers e auxiliou mais de 40 bancos de todo o mundo, incluindo alguns da América Latina, que estavam comprometidos por ataques desde setembro de 2018. Para ter acessos a informações em primeira mão, utilizamos mais de 300 fontes de inteligência ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, para detectar, deter e interromper ataques direcionados ao ecossistema de pagamento global. Essas fontes incluem relacionamentos com estabelecimentos comerciais e industriais, além do contato com representantes legais e policiais.

Nestes 18 anos na empresa, tenho constatado a evolução dos cibercriminosos, cujas técnicas se tornaram mais complexas e sofisticadas. Os fraudadores são extremamente bem organizados para alcançar o objetivo de roubar dados financeiros e fundos de pessoas, empresas, bancos e até de governos. Por esse motivo, estamos constantemente desenvolvendo novas ferramentas para garantir a segurança dos nossos clientes.

Para impedir ataques a transações de comércio virtual, criamos uma ferramenta que consegue rastrear um malware (software malicioso) que age como um espião, roubando os dados das contas de clientes. O malware é identificado assim que o contato ocorre, mesmo que o site da empresa ainda não tenha registrado nenhum tipo de fraude. A ideia é não esperar que nossos clientes denunciem uma conta comprometida, mas acabar com a ação dos criminosos ao primeiro sinal, evitando a perda de dinheiro.

Além disso, fundei o projeto de capacitação chamado Visa’s Red Team. Se há hackers que cometem fraudes para roubar dados e aplicar golpes milionários, por que não formar uma equipe capaz de contra-atacar e encontrar vulnerabilidades nos processos de pagamento? A iniciativa inovadora rendeu bons resultados e, hoje, a equipe é composta por cerca de 50 especialistas. Em um laboratório, eles simulam ataques cibernéticos e verificam todos os tipos de combinações em transações, além de testar cada ferramenta de segurança que é desenvolvida.

Entre tantos casos que acompanhei, destaco a tentativa de um grupo de hackers na África que sacava dinheiro de forma muito rápida – milhares de dólares por minuto – de uma rede de caixas eletrônicos em uma sexta-feira à noite. Minha equipe achou a atividade estranha e entrou em contato com a instituição financeira, informando que as operações seriam bloqueadas. Por telefone, um funcionário do banco respondeu que nenhuma fraude tinha sido identificada e, portanto, não havia necessidade de interromper as atividades.

Eu e minha equipe tomamos a decisão de parar todas as transações realizadas por caixas eletrônicos do banco. Depois, descobrimos que o suposto funcionário com quem conversei era um dos criminosos. Todo o grupo foi preso. É uma pressão muito grande porque uma decisão errada teria um impacto terrível. Mas a verdade é que contamos com ferramentas sofisticadas e é bastante satisfatório pegar esses ‘caras maus’.

Além da curiosidade sobre o quão criativos os cibercriminosos podem ser, uma pergunta recorrente é sobre o fato de eu ser mulher em uma área dominada pelos homens. Embora a presença feminina esteja aumentando no setor de tecnologia, noto que ainda é bastante reduzida quando vou a seminários e congressos. As mulheres representam apenas 12% dos contratados nesta área, segundo pesquisa Barômetro de TI realizada com 1.745 profissionais no ano passado pela Michael Page, uma das maiores empresas de recrutamento do mundo. Para mudar esse cenário, é preciso encorajar os talentos das jovens em áreas que envolvem matemática e computação.

A Visa parece ser uma exceção nesse panorama, promovendo programas de inclusão, diversidade e igualdade de gênero, reconhecendo a capacidade e dando voz a todos seus colaboradores. Como resultado, a empresa ganhou vários prêmios em 2018 como Melhores Empregadores de Mulheres, da Forbes, e 25 Melhores Empresas para Mulheres do Setor de Tecnologia, da Anita Borg Institute. É um indício de transformação que trará mais equilíbrio e igualdade.

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