Cambridge Analytica | Novo vazamento traz envolvimento do Brasil

Cambridge Analytica | Novo vazamento traz envolvimento do Brasil

Por Nathan Vieira | 06 de Janeiro de 2020 às 14h20

Você se lembra do caso Cambridge Analytica, responsável por trazer à tona uma forte discussão em torno de segurança e privacidade? Caso você não se lembre, a gente refresca a sua memória: acontece que, em março do ano passado, uma matéria do jornal britânico The Guardian revelou que a Cambridge Analytica, empresa de assessoria política, teria usado informações de usuários do Facebook para a criação de campanhas relacionadas à eleição de Donald Trump e da saída do Reino Unido de acordos da União Europeia, evento conhecido como Brexit. O caso tomou tantas proporções, que virou até documentário da Netflix.

No entanto, 2020 começou com os dois pés na porta. O Guardian fez uma nova matéria apontando que Brittany Kaiser, uma das funcionárias da consultoria, divulgou nesta quinta-feira (2) mensagens sobre as negociações para trazer a companhia ao Brasil antes das eleições de 2018, e que mais de 100 mil documentos relacionados ao trabalho em 68 países que revelarão a infra-estrutura global da operação usada para manipular eleitores deverão ser divulgados nos próximos meses. "Está muito claro que nossos sistemas eleitorais estão abertos a abusos", disse Britanny. "Estou com muito medo do que acontecerá nas eleições nos EUA ainda este ano, e acho que uma das poucas maneiras de nos protegermos é obter o máximo de informações possível", acrescentou.

O lançamento dos documentos começou em uma conta anônima do Twitter, com links para material sobre eleições na Malásia, Quênia e Brasil. Os documentos foram recuperados de suas contas de e-mail e discos rígidos, e Britanny disse que havia milhares e milhares de páginas a mais que mostravam uma "amplitude e profundidade do trabalho" que iam muito além o que as pessoas pensam, já que o "escândalo de dados do Facebook fazia parte de uma operação global muito maior que trabalhou com governos, agências de inteligência, empresas comerciais e campanhas políticas para manipular e influenciar pessoas, e que levantou enormes implicações de segurança nacional".

Christopher Steele, ex-chefe do MI6 na Rússia e especialista em inteligência fez uma rara intervenção pública para comentar os vazamentos. Ele disse que, embora não soubesse o que havia neles, o contexto não poderia ser mais importante porque "em nossa trajetória atual, esses problemas provavelmente piorarão, não melhorarão e com as eleições cruciais para 2020 na América e em outros lugares se aproximando, essa é uma perspectiva muito assustadora. Algo radical precisa ser feito sobre isso e rápido". Ele disse que as autoridades falharam em punir aqueles que praticam manipulação.

E quanto ao Brasil?

Apesar de haver pouca informação concreta, nesses novos vazamentos, os emails trazem muitas intenções da empresa, e apontam a visita de Mark Turnbull, diretor responsável pelo setor de campanhas eleitorais dentro da Cambridge Analytica, a São Paulo, e o acordo com o consultor político André Torreta, presidente-executivo da Ponte Estratégia. A empresa planejava conhecer as oportunidades no Brasil e encontrar os principais candidatos à presidência, governos estaduais, Congresso Nacional e aos cargos legislativos estaduais para oferecer serviços.

Segundo os e-mails, esses planos fracassaram: em mensagem ao CEO da Cambridge Analytica, Alexander Nix, em 29 de setembro, Kaiser aponta que já havia cancelado reuniões e teleconferências com Torreta: "Caro Alexander, o que temos aqui é muita coisa. Tenho trabalhado duro para persuadir André e Gal a se juntarem a nós. Depois de Mark aceitar o convite deles para vir ao Brasil para fechar o acordo em São Paulo, eu não gostaria de estar na posição de ter de cancelar isso, já que destruiria nossa credibilidade".

Fonte: The Guardian

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