Brasil sobe 53 posições no ranking mundial de cibersegurança; confira as razões

Brasil sobe 53 posições no ranking mundial de cibersegurança; confira as razões

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 05 de Julho de 2021 às 21h20
Rawpixel/Envato

O Brasil ficou no 18º lugar no Índice Global de Segurança Cibernética 2020, levantamento feito por uma agência da ONU (Organização das Nações Unidas) que avalia as ações do governo com foco na proteção contra riscos cibernéticos. Ao subir 53 posições no ranking, o país também se tornou o terceiro melhor colocado da América, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Canadá.

Para constituir o ranking, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) leva em conta aspectos técnicos, jurídicos, organizacionais, de capacitação e cooperativos da infraestrutura tecnológica de 193 países. No caso do Brasil, pesaram os planos do governo federal na digitalização de seus serviços públicos, bem como normas nacionais de proteção às informações dos cidadãos, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Ao falar sobre o assunto, o governo federal também destacou suas políticas nacionais de segurança da informação e de proteção a infraestruturas críticas, decretadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), assim como a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética, que visa alinhar esforços em prol da proteção digital e fomentar a adoção de melhores práticas e mais maturidade no setor de tecnologia.

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Aumento da digitalização trouxe riscos, mas também mais esforços

As iniciativas de digitalização dos atendimentos públicos, que de acordo com os números oficiais, já atendem mais de 107 milhões de pessoas com três mil serviços, também foi vista como alavancadora da posição do Brasil no ranking, onde anteriormente, o país ocupava a 71ª colocação. “[Essa] transição acrescentou riscos à segurança e a privacidade, [mas] avançamos pelo esforço de vários órgãos dedicados a proteger os brasileiros no ambiente digital”, afirmou o secretário de Governo Digital do Ministério da Economia, Luis Felipe Monteiro.

A subida também foi bem vista por especialistas, que ressaltam o trabalho que vem sendo feito ao longo dos últimos 15 anos. Normas federais como a Lei dos Crimes Cibernéticos, de 2021, e o Marco Civil da Internet, de 2013, ajudaram a pavimentar o caminho e, acima disso, introduzir o tema entre as preocupações estratégicas do governo brasileiro. “Esses avanços são uma resposta necessária à crescente ameaça que atores estatais ou não representam à segurança dos países”, explica Marcelo Cárgano, advogado da área de proteção de dados do escritório Abe Giovanini Advogados.

De acordo com ele, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer na área de cibersegurança, mas a preocupação estatal evidenciada pela LGPD, por exemplo, é notável. “O Brasil ainda peca por não ter uma cultura de cibersegurança e uma das maiores missões da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sendo criar e difundir iniciativas desse tipo no país”, complementa Cárgano.

Ele cita uma pesquisa do Datafolha, que apontou que apenas 32% das empresas de setores essenciais como educação, finanças, telecomunicações, saúde e varejo possuem um departamento voltado a cibersegurança. Além disso, ele lembra os ataques a órgãos federais como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Ministério da Saúde e a Controladoria Geral da União (CGU) como exemplos centrais de um volume de mais de 8,4 bilhões de ameaças enfrentadas pelo país ao longo do ano passado.

Na visão geral, a UIT enxergou como positivo o esforço global em prol da segurança digital e entende que a maior parte dos países intensificaram as estratégias e investimentos em segurança diante do aumento nos ataques. Ainda assim, a expectativa é de perdas na casa dos US$ 6 trilhões decorrentes de ataques que visem dados pessoais e financeiros dos cidadãos.

Fonte: Global Cybersecurity Index 2020, Ministério das Comunicações

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