Ataque de ransomware leva ao fechamento do maior oleoduto dos EUA

Ataque de ransomware leva ao fechamento do maior oleoduto dos EUA

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 10 de Maio de 2021 às 12h59
Divulgação/Colonial Pipeline

Um ciberataque de graves proporções pode afetar o fornecimento de combustível para a costa leste dos Estados Unidos após a operadora de dutos Colonial Pipeline anunciar uma interrupção em suas operações. O golpe de ransomware foi divulgado pela empresa na última sexta-feira (7) e levou ao fechamento de toda a rede da companhia, que opera o maior oleoduto do país.

As principais linhas de fornecimento da companhia seguem inoperantes no momento em que esta reportagem é escrita, enquanto dutos laterais e terminais de entrega de combustível voltaram a funcionar neste domingo (9). De acordo com o mais recente comunicado, divulgado pela Colonial Pipeline neste fim de semana, seus times operacionais trabalham em um plano para reiniciar todos os sistemas e retomar as atividades dos dutos enquanto avalia os danos causados pelo ransomware.

De acordo com a companhia, o foco atual é garantir que a restauração dos sistemas aconteça de forma segura e o mais rapidamente possível, antes que as dificuldades afetem os clientes. De forma paliativa, a Colonial Pipeline também diz dar atenção a outros dutos laterais e de entrega como forma de garantir o fornecimento de combustível enquanto sua plataforma principal de distribuição não é normalizada.

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Os detalhes sobre o ataque de ransomware ainda não foram divulgados, mas o caso já provocou uma investigação federal, de acordo com a imprensa americana. As principais suspeitas, ainda não confirmadas, caem sobre um grupo de criminosos conhecido como Darkside, que estaria se especializando em ataques contra infraestruturas e organizações governamentais. No Brasil, eles são apontados como responsáveis por tentativas de golpes a empresas de energia como a Copel e a Eletrobras.

De acordo com a Casa Branca, o Departamento de Energia monitora os impactos da interrupção no fornecimento de eletricidade, enquanto outros departamentos, como o de transportes e Cibersegurança, também avaliam o caso. O presidente Joe Biden também acompanha o a situação e ordenou que especialistas do governo trabalhem ao lado da Colonial Pipeline para restabelecer o fornecimento de combustível o mais rápido possível. A empresa anunciou que contratou consultorias externas em segurança para garantir um retorno ágil, e a FireEye estaria entre as contatadas, mas a companhia não confirma sua participação nos planos de recuperação.

A confirmação do ataque corrobora temores antigos, que vêm desde o ano passado, sobre ataques de ransomware que mirem a infraestrutura nacional de fornecimento de energia, água, gasolina e demais insumos para o país. Ainda é cedo para afirmar, principalmente diante de outros casos que envolvem usinas de tratamento, mas este pode ser um dos ataques que mais se aproximaram de efetivamente interromper o suprimento de itens essenciais.

A estrutura da Colonial Pipeline transporta mais de 2,5 milhões de barris diários de combustível por boa parte dos Estados Unidos, alimentando postos de gasolina, usinas de geração de energia e indústrias. São mais de 8,8 mil quilômetros de dutos que ligam a Costa do Golfo aos estados do leste e sul do país, além de servirem como linha direta de alimentação a alguns dos maiores aeroportos americanos em volumes de passageiros.

De acordo com panorama divulgado pela Associação Americana de Automóveis, uma interrupção de apenas quatro dias no fornecimento já poderia levar a um aumento nos preços da gasolina e do diesel para os americanos, bem como à falta de combustível em distribuidoras e cidades pequenas. Um desligamento ainda maior pode levar, ainda, à interrupção de voos nos aeroportos, bem como à parada dos trabalhos em refinarias e usinas de energia.

Fonte: Colonial Pipeline, VentureBeat  

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