Após aquisição, Audacity é acusado de espionar usuários

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 05 de Julho de 2021 às 15h20
Igor Almenara/Canaltech

Um dos softwares de edição de áudio mais populares do mundo está, agora, na mira de acusações de espionagem. O Audacity, disponível gratuitamente para diferentes plataformas e com código aberto, prevê, em sua nova política de privacidade, a coleta de dados dos usuários em um caráter além do necessário para um programa de sua categoria, levando muita gente a, inclusive, taxar a aplicação como um spyware.

As novas regras foram publicadas na última sexta-feira (2) e falam em informações necessárias para o desenvolvimento contínuo da aplicação e resolução de bugs. Para isso, o Audacity passaria a enviar aos desenvolvedores dados como o sistema operacional usado, versão, informações do processador e erros encontrados. Entretanto, com tais telemetrias, também estão informações geográficas dos utilizadores, com o país sendo citado diretamente e obtido a partir do endereço IP.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

As novas regras também preveem a necessidade de compartilhamento de dados com autoridades, afirmando que as informações dos usuários do Audacity ficam armazenadas em servidores na Europa e podem ser compartilhadas com o escritório central da empresa, na Rússia. A companhia também fala de pedidos de informação feitos pelos Estados Unidos, que preveem o envio de dados ao governo americano. Para piorar ainda mais as coisas, as políticas também citam o uso destas informações em contatos com “auditores, conselheiros” ou “compradores em potencial”, que não são citados diretamente e, claro, sem exigir autorização expressa dos usuários para isso.

As mudanças nas regras levaram a críticas da comunidade de código aberto, que chegaram a taxar o Audacity como uma praga e incentivaram sua desinstalação, com o uso de versões mais antigas do software sendo recomendadas. O programa, gratuito, é um preferido entre editores de áudio amadores e podcasters, por trazer todas as ferramentas de edição, montagem e equalização de áudio em um pacote completo e gratuito.

A prova desse sucesso é que, em abril, o Muse Group anunciou a compra da aplicação, como forma de aumentar seu portfólio de app musicais que também inclui nomes populares como StaffPad e Ultimate Guitar. Na ocasião, a empresa também prometeu que o editor permaneceria gratuito, mas desde o começo, as relações entre a comunidade e os novos donos da aplicação não foram das melhores, principalmente após a primeira mudança, na qual aqueles que desejassem realizar alterações no código-fonte do software deveriam concordar que o resultado de seus trabalhos poderiam ser usado pelo grupo, de forma irrestrita e sem compensação aos autores.

Os novos termos de uso também iriam contra a licença GNU GPL, que designa os softwares de distribuição livre como o Audacity. Devido à implementação da coleta de dados, o Muse Group foi obrigado a permitir que o editor seja utilizado, de agora em diante, apenas por maiores de 13 anos; a chamada Licença Pública Geral, na sigla em inglês, indica que aplicações de código aberto não podem ter restrições de uso e devem estar disponíveis a todos.

Outros caminhos

A comunidade pede que os desenvolvedores do Audacity que não estão envolvidos com a Muse Group se separem e iniciem um novo projeto de editor, fora das amarras da empresa. Enquanto isso, a recomendação aos usuários é pela não atualização do software a partir das versões 3.0, lançadas após a aquisição pelo Muse Group e sem os mecanismos de registros de dados — a aplicação não tem um sistema de update automático, mas a opção exige cautela caso falhas de segurança sejam encontradas em versões antigas, expondo os usuários a riscos por conta disso. Outra alternativa, claro, é a busca por outras soluções gratuitas de edição de áudio.

O Canaltech tentou contato com o Muse Group sobre o assunto, mas a empresa não havia respondido até a publicação desta reportagem.

Fonte: Foss Post

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.