5 mitos sobre VPNs e por que você não deve acreditar neles

Por Sérgio Oliveira

Desde que eclodiu o escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos pelas mãos do ex-analista Edward Snowden, muita gente tem se inteirado a respeito de ferramentas e estratégias para manter seus dados protegidos na Internet. Nesse cenário, a popularidade das VPN, as redes privadas virtuais, cresceu vertiginosamente e praticamente todo mundo sabe um pouco sobre essa tecnologia.

Basicamente, as VPNs funcionam conectando um computador a um servidor intermediário, que se responsabilizará por criptografar e fazer a ponte entre o usuário e a Internet. Dessa maneira, é possível navegar de forma segura, burlar algumas restrições geográficas impostas por serviços como Spotify, Hulu e Pandora e até mesmo permanecer anônimo.

O problema é que essa sensação de segurança fez com que vários mitos surgissem em torno das VPNs, o que eventualmente mina os benefícios do serviço e confunde os que estão à procura de um provedor de qualidade.

No artigo de hoje, discutiremos os cinco principais mitos que rondam as VPNs e por que você não deve acreditar neles.

1. VPNs só são usadas por quem faz algo ilícito online

Talvez este seja o mito mais recorrente sobre VPNs desde que a tecnologia foi inventada décadas atrás. Já que o serviço "desbloqueia" serviços específicos, que geralmente restringem seu acesso baseado na geolocalização do usuário, muitos o associam à atos ilegais e que podem render problemas judiciais.

É verdade, essas redes podem ajudar nesse tipo de atividade, mas seu principal propósito não é e nunca foi esse. Na realidade, o principal objetivo das VPNs é manter os usuários seguros online ao estabelecer um canal de comunicação criptografado pelo qual seus dados podem trafegar sem serem "raptados" por cibercriminosos.

O objetivo das VPNs não é esconder os rastros deixados pelos usuários online, tampouco proteger cibercriminosos. Na verdade, o intuito dessas redes é criptografar e proteger os dados que trafegam pela internet

O objetivo das VPNs não é esconder os rastros deixados pelos usuários online, tampouco proteger cibercriminosos. Na verdade, o intuito dessas redes é criptografar e proteger os dados que trafegam pela internet (Imagem: Reprodução / Shutterstock)

Portanto, mesmo que você não esteja interessado em navegar nas profundezas da "deep web", utilizar uma VPN o ajudará a manter seus dados seguros e longe de qualquer problema - principalmente quando você está conectado a uma Wi-Fi pública.

2. VPNs reduzem a velocidade de conexão

Já que as VPNs reencaminham suas solicitações para um servidor intermediário, que geralmente está distante da sua localidade, responsável por intermediar sua conexão com a internet, muita gente pensa que isso reduz drasticamente a velocidade de conexão. Bem, isso não é inteiramente verdade.

Este é um mito que provavelmente surgiu da confusão entre os termos Proxy e VPN, erroneamente associados um ao outro. Pois bem, o que há, na verdade, são servidores proxies públicos e gratuitos, que são vastamente utilizados e, por isso, têm de limitar a velocidade de acesso dos internautas para dar conta do recado. Logo, como Proxy e VPN são confundidos, muita gente acredita que esse é um mal que também assola as VPNs.

Verdade seja dita, o que realmente limita a velocidade de uma VPN é a velocidade da conexão com o usuário à internet. O fato de o servidor estar distante de onde o usuário se encontra também influencia, mas não ao ponto de comprometer a experiência de navegação na web.

Comparativo de velocidade do nosso computador conectado diretamente à internet (esquerda) e conectado a um servidor VPN em Houston, Estados Unidos (direita). Perceba que praticamente não houve alteração de velocidade.

Comparativo de velocidade do nosso computador conectado diretamente à internet (esquerda) e conectado a um servidor VPN em Houston, Estados Unidos (direita). Perceba que praticamente não houve alteração de velocidade (Imagem: Captura de tela / Sergio Oliveira)

Portanto, esteja atento para não escolher gato ao invés de lebre. Escolha uma rede privada virtual que ofereça várias opções de servidor para você se conectar e certifique-se de não estar contratando um servidor Proxy.

3. VPNs pagas são desperdício, as gratuitas são suficientes

Lembremos sempre daquele ditado que diz que não existe almoço de graça. Pois bem, ele também se aplica à tecnologia e, ao recorrer a serviços gratuitos de VPN, você provavelmente estará abrindo mão de alguma coisa para "pagar" por essa gratuidade.

Além disso, VPNs gratuitas geralmente vêm acompanhadas de uma série de limitações que podem frustrar a navegabilidade na web. Nesse caso, são comuns limites de velocidade e de tráfego mensal de dados, que não são nada generosos.

Para piorar ainda mais o cenário, vários desses serviços coletam informações de navegação do usuário, endereços de e-mail e outros dados pessoais. E antes que você ache tudo isso um absurdo, lembre-se do seguinte: eles têm de pagar as contas de alguma forma, certo?

Antes de se meter em uma cilada dessas, sempre leia atentamente aos termos de uso e serviço que ninguém lê. Caso não esteja disposto a fazer isso, lembre-se que você recebe por aquilo que paga.

4. Todas as VPNs são iguais

Este é um mito que também leva muitas pessoas a escolherem provedores inadequados e a colocarem suas informações em risco. É importante atentar que cada provedor oferece um tipo específico de servidor, com um nível específico de criptografia. Isso significa que esse nível de criptografia pode variar de acordo com o serviço contratado. Alguns disponibilizam criptografia branda, o que geralmente está associado a mensalidades baixas; outros oferecem criptografia de ponta, o que também afeta diretamente no valor pago mensalmente. Neste sentido, o ideal é escolher um provedor que ofereça seus serviços via OpenVPN; em contrapartida, evite o PPTP a todo custo.

Os provedores de VPN oferecem diversos níveis de criptografia dos dados; logo, quanto mais cara for a contratação, supõem-se que mais segura será a criptografia

Os provedores de VPN oferecem diversos níveis de criptografia dos dados; logo, quanto mais cara for a contratação, supõem-se que mais segura será a criptografia (Imagem: Adaptação / Reprodução)

Outro aspecto que se deve ter cautela é em relação à privacidade. Antes de contratar um serviço de VPN, certifique-se de que ele não mantém nenhum log. Se mesmo assim as opções que estão dentro do seu orçamento incluírem esses registros, observe que tipo de informações são guardadas e evite qualquer um que armazene dados pessoais e o que você faz online.

5. Com uma VPN, pode-se fazer o que quiser online

Não se engane: embora seus dados estejam criptografados e protegidos dos olhares curiosos dos cibercriminosos, isso não significa que você pode fazer o que quiser online. Arriscar-se por sites obscuros pode pôr em risco os seus dados e expor seu computador a malwares, keyloggers e ransonwares. É importante frisar que VPNs não são antivírus, tampouco previnem os riscos a que um usuário desleixado pode se expor online.

Portanto, permaneça alerta! Não abandone bons hábitos de segurança, evite e-mails suspeitos e sempre utilize firewalls, antivírus e antimalwares para se manter longe de problemas.

Lembre-se sempre que suas informações pessoais são a moeda mais valiosa para hackers e pessoas mal-intencionadas. Portanto, conhecer como funcionam as VPNs e escolher um bom provedor pode ajudar a mitigar suas preocupações sobre segurança online.

E aí? Gostou dos mitos que discutimos aqui? Tem algum outro mito que você acredita ser falso? Compartilhe conosco e com os leitores na caixa de comentários aqui embaixo.

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