20% dos médicos confirmam comprometimento de dados de pacientes em telemedicina

20% dos médicos confirmam comprometimento de dados de pacientes em telemedicina

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 14 de Abril de 2022 às 13h00
Getty Images

Durante a pandemia muitas pessoas recorreram a consultas de medicina online para evitar ir até hospitais e correr o risco de se infectar com a covid-19. Porém, uma pesquisa da firma de segurança Kaspersky mostra que para 20% (2 a cada 10) dos médicos brasileiros, essa prática resultou no comprometimento de dados pessoais dos pacientes.

Os hospitais, médicos e prestadores de serviço de saúde, em suas consultas online, podem, se não estiverem utilizando plataformas feitas para esse tipo de atividade, comprometer os dados dos pacientes — e isso é de ciência dos profissionais da área no Brasil, já que na pesquisa da Kaspersky 40% deles responderam que doutores utilizam programas como Facetime, Facebook Messenger, WhatsApp e Zoom para o atendimento.

Essa utilização de aplicativos não especializados no ambiente de serviços de saúde gera, segundo o Dr. Peter Zeggel, CEO da arztkonsultation.de, maior provedora de telemedicina da Alemanha, um risco grave para os pacientes: “Os aplicativos de telemedicina são projetados especificamente para este fim. Além de serem certificados para proteger dados pessoais sigilosos. Ao ignorar o alto nível de proteção, corre-se o risco de perder confiança do paciente e sofrer com medidas punitivas e multas pesadas”, alerta o executivo.

Por outro lado, quem tem os dados vazados pode se tornar uma vítima de outros golpes, que aproveitam a quantidade de informação sobre uma pessoa ou a instituição para sofisticar e direcionar um ataque — podendo gerar consequências como perdas financeiras ou roubos de contas virtuais.

Como as organizações podem minimizar comprometimento de dados

Mesmo com o problema da privacidade de dados, a telemedicina pode ser um vetor para mudanças na saúde. (Imagem: Divulgação/Kaspersky)

Para minimizar os riscos de incidentes de privacidade, Fernando dos Santos, líder no setor enterprise da Kaspersky na América Latina, afirma que as organizações da área de saúde devem ajustar suas políticas de cibersegurança e torná-las relevantes para as necessidades de hoje: “O setor de serviços de saúde está entrando em um novo patamar digital e, cada vez mais, enfrentando situações relacionadas a privacidade e segurança. Mas não se trata apenas de adotar novas tecnologias. Para garantir uma segurança eficiente, é preciso melhorar também processos e as pessoas, por isso é necessário inspirar e motivar médicos, enfermeiros e todos os funcionários para que elas saibam se comportar de maneira segura no ambiente digital" explica o especialista.

Mesmo com essa questão de privacidade, porém, para Zeggel, a telemedicina ainda pode ser um importante passo para o futuro da saúde. "A telemedicina ainda tem como foco ser uma forma de apresentar uma abordagem mais conectada entre médicos e pacientes, o que no futuro pode levar a mudanças nos princípios do setor" afirma o executivo para a pesquisa da Kaspersky, que pode ser consultada neste link.

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