Bluetooth SIG quer criar "rastreador de COVID-19" para pulseiras inteligentes

Por Ramon de Souza | 19 de Agosto de 2020 às 22h15
Divulgação/Xiaomi

O Google e a Apple foram empresas pioneiras ao criarem, juntas, o Sistema de Notificação de Exposição (Exposure Notification System ou ENS, no original em inglês), um conjunto de aplicações (API) gratuito que utiliza a tecnologia Bluetooth para “rastrear” casos positivos de COVID-19 pelo smartphone e alertar os usuários caso eles tenham contato com alguém que possua a doença. O framework já está sendo utilizado dentro de alguns aplicativos governamentais, sendo o Reino Unido a mais nova nação a adotar tal sistema.

Por mais que o invento seja altamente eficaz para evitar a proliferação do vírus, tem um detalhe importante: a crise do novo coronavírus (SARS-CoV-2) chegou até mesmo em localidades em que uma parcela razoável da população não possui acesso a telefones móveis. Pensando nisso, o Bluetooth Special Interest Group (SIG), consórcio responsável por padronizar a tecnologia, acaba de anunciar um plano bem interessante.

A entidade pretende criar um sistema oficial, universal e similar ao ENS, mas projetado especificamente para gadgets vestíveis — incluindo pulseiras inteligentes, que seriam bem mais acessíveis para os consumidores finais e poderiam até mesmo ser distribuídas gratuitamente se o governo assim desejada (subsidiando sua fabricação). Para isso, foi criado um grupo de trabalho batizado de Exposure Notification Working Group (ENWG).

“Existem vários grupos populacionais essenciais para o gerenciamento da propagação de doenças como a COVID-19 com penetração relativamente baixa de smartphones, apresentando um desafio de cobertura para ENS baseados em smartphones. Acreditamos que incluir dispositivos vestíveis em um ENS seria um método muito eficaz para estender seu alcance para apoiar esses grupos importantes”, explica Elisa Resconi, professora envolvida em intervenções não-farmacêuticas contra a doença.

Como funciona?

O primeiro rascunho de especificações técnicas desse novo sistema ainda está em desenvolvimento, mas o Bluetooth SIG já liberou uma prévia de seu funcionamento na prática. No exemplo divulgado pelo consórcio, uma mãe deseja fazer o rastreio de seu filho — que é novo demais para ter um smartphone — que corre risco de contrair a enfermidade no ambiente escolar. Por isso, ela adquire uma pulseira inteligente e faz o pareamento com seu próprio celular.

Imagem: Divulgação/Bluetooth SIG

A criança passa o dia utilizando o acessório, que se limita a trocar IDs únicos e aleatórios com outros usuários da mesma tecnologia. Todas essas trocas vão sendo registradas na própria pulseira de forma automática, bastando que dois vestíveis se aproximem o suficiente para permitir a comunicação sem fio. Coincidentemente, a área de cobertura de um emissor Bluetooth é similar à área de risco de contágio pela COVID-19.

Imagem: Divulgação/Bluetooth SIG

Ao fim do dia, quando o filho volta para a sua casa, sua pulseira envia a relação dos IDs interagidos para o smartphone da mãe. Esse sincronismo também seria feito automaticamente, sempre que o vestível aproxima-se do celular com o qual ele esteja pareado.

Imagem: Divulgação/Bluetooth SIG

Por fim, um aplicativo faz uma verificação contínua de IDs de usuários que testaram positivo para a COVID-19. Caso o filho tenha interagido com um desses identificadores, um alerta é emitido junto com instruções médicas.

Imagem: Divulgação/Bluetooth SIG

O Bluetooth SIG, citando uma recente pesquisa da Universidade de Oxford, garante que a adoção de um ENS por pelo menos 60% de uma população poderia ajudar a frear definitivamente a disseminação do novo coronavírus. Vale lembrar, porém, que a criação da tecnologia é apenas o primeiro passo: também há o desafio de implementá-la em um produto acessível e projetar uma logística eficiente que incentive seu uso pelo público final.

Fonte: Bluetooth SIG

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