Pesquisadores estudam como a realidade aumentada afeta nosso comportamento

Por Patrícia Gnipper | 24 de Maio de 2019 às 07h00

A realidade aumentada (AR) é uma tecnologia que vem crescendo a passos largos, sendo cada vez mais adotada pelas grandes empresas e com potencial de transformar a maneira como nos relacionamos com o mundo virtual, indo muito além de joguinhos divertidos como Pokémon GO e afins. E à medida em que as empresas se apressam para lançar produtos de realidade aumentada e fazer a tecnologia "pegar", pesquisadores de Stanford vêm estudando como esta tecnologia tem o potencial de afetar o comportamento das pessoas.

De acordo com o estudo, a equipe descobriu que mesmo sem estar usando um dispositivo de AR, as pessoas acabam mantendo hábitos daquele momento sem perceber. Por exemplo, as pessoas estudadas pelo time mostraram, sem intenção, que evitavam sentar em uma cadeira no mundo real que acabou de ser usada por outra pessoa no mundo virtual, e os participantes pareciam influenciados pela presença da pessoa virtual de modo semelhante a como seriam se uma pessoa de verdade estivesse a seu lado.

"Descobrimos que o uso da realidade aumentada pode mudar onde você anda, como vira a cabeça, como você se sai bem em tarefas e como se conecta socialmente com outras pessoas físicas na sala", explicou Jeremy Bailenson, professor de comunicação em Stanford e autor principal do estudo. O pesquisador anteriormente fez uma pesquisa similar com a realidade virtual (VR) — mas enquanto a VR tenta simular um ambiente real, tirando o usuário de sua configuração física, a AR coloca camadas de informações digitais sobre o ambiente físico, e por isso o potencial de afetar o comportamento das pessoas de uma maneira mais intensa do que a VR.

Bailenson entende ainda que "a realidade aumentada poderia ajudar a conter a crise das mudanças climáticas ao permitir reuniões virtuais realistas, o que evitaria a necessidade de se deslocar para reuniões presenciais", e sua pesquisa "pode ajudar a chamar a atenção para as possíveis consequências sociais do uso da RA em larga escala, para que a tecnologia possa ser projetada a fim de evitar problemas".

Para o estudo, a equipe contou com 218 participantes em três linhas diferentes de pesquisa. As duas primeiras exigiram que cada participante interagisse com um avatar virtual que se sentava em uma cadeira real na frente deles, enquanto o outro testou se os participantes seguiriam os sinais sociais aceitos ao interagir com o avatar em questão.

Como resultado, os pesquisadores descobriram que todos os participantes preferiram sentar na cadeira ao lado de onde o avatar virtual estava sentado, mesmo sabendo que não havia nenhuma pessoa de carne e osso ali. E mesmo após se desconectarem da plataforma de AR, 72% deles ainda escolheram sentar em uma cadeira que não foi usada pelo avatar.

Para Bailenson, "o fato de que nenhum dos sujeitos tomou o assento onde o avatar estava foi uma surpresa, e esses resultados destacam como o conteúdo de realidade aumentada se integra ao seu espaço físico, afetando a maneira como você interage com ele".

Fonte: Stanford

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