Escritor diz que IA vai forçar o surgimento de uma classe de inúteis em 2050

Por Redação | 17 de Janeiro de 2018 às 17h05
Jirsak/DepositPhotos

No futuro, a crise do emprego não vai passar apenas pela economia e falta de investimento. Com a evolução da tecnologia, esse cenário pode crescer ainda mais, no momento em que muitas tarefas deixem de ser executadas por humanos.

Esse é o raciocínio do escritor Yuval Noah Harari, que escreveu um artigo para o jornal inglês The Guardiam em que lançou a seguinte ideia: até o ano de 2050, vai aparecer uma nova categoria de pessoas – a dos inúteis.

Professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor de dois livros que estão fazendo muito sucesso no Brasil, Sapiens — Uma Breve História da Humanidade e Homo Deus — Uma Breve História do Amanhã (ambos lançados pela Companhia das Letras), Harari define essa nova classe como "pessoas que não serão apenas desempregadas, mas que não serão empregáveis".

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O desenvolvimento da inteligência artificial terá papel fundamental nessa previsão, segundo o escritor. A tecnologia vai forçar o nascimento de novas profissões, mas o problema é que nem todos vão conseguir se reinventar e encontrar um espaço na nova ordem das coisas. Com isso, se tornarão profissionais que não conseguem se reinserir no mercado de trabalho, pois a tecnologia vai mudar a forma como tudo é produzido, gerenciado e distribuído.

Vida no mundo virtual

Entre as profissões que vão surgir baseadas no desenvolvimento da inteligência artificial está o designer do mundo virtual. Como a tecnologia se atualiza rapidamente, quem não estiver preparado para ela desde o início da carreira profissional pode não ter condições de se adaptar a essa agilidade. 

Segundo Harari, um corretor de seguro pode fazer uma transição para o mundo virtual, mas o seu progresso será lento a tal ponto que, quando ele estiver apto, talvez tenha que se reinventar novamente pois a tecnologia já avançou.

Portanto, para o escritor, a questão não é criar novos empregos, mas sim criar empregos em que os humanos possam ter desempenho melhor do que algoritmos.

O escritor Yuval Noah Harari: seremos inúteis em 2050? (Reprodução: TED/Divulgação)

Possíveis soluções

Como possível solução, ele propõe um sistema de renda básica universal, mas o próprio Harari vê algumas limitações neste momento: como manter essas pessoas ocupadas e satisfeitas? "As pessoas devem se envolver em atividades com algum propósito, ou vão ficar loucas. Afinal, o que a classe inútil irá fazer o dia todo?", questiona.

Outra solução apresentada pelo escritor são os games de realidade virtual em 3D, que poderiam proporcionar mais engajamento emocional do que a vida real. Ele compara essa tecnologia com as religões: "Se você reza todo dia, ganha pontos. Se você se esquece de rezar, perde pontos. Se no fim da vida você ganhou pontos o suficiente, depois que morrer irá ao próximo nível do jogo (também conhecido como céu)”.

A inteligência artificial está cada vez mais presente nas nossas vidas, e o que Harari aponta é que essa tecnologia deverá aumentar sua presença no cotidiano. A casa conectada, a Internet das Coisas, assistentes virtuais... tudo isso começa ser algo comum. 

Se o mundo virtual ou os games em 3D serão a solução, ainda é cedo para saber. Enquanto isso, vamos acompanhando a tecnologia que a cada dia chega com novidades potencialmente capazes de transformar o mundo em que vivemos.

Fonte: The Guardian

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