Tradição e tecnologia: Templo budista usa monge robótico para falar com jovens

Por Daniele Cavalcante | 18 de Agosto de 2019 às 21h35
CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Quem disse que as antigas tradições não podem aproveitar as tecnologias dos dias de hoje? Pois um templo budista de 400 anos, localizado em Kyoto, no Japão, resolveu provar que sim, ao usar um robô humanoide para desempenhar o papel de monge. A ideia é atrair a geração mais jovem, indiscutivelmente mais confortável com inovações tecnológica do que as gerações anteriores.

Em parceria com a equipe de robótica da Universidade de Osaka, o Templo Kodaji revelou o "Mindar", uma espécie de androide feito de silício e alumínio e que mede 1,80m de altura. Ele representa uma versão futurista de Kannon, uma divindade budista da compaixão que prega algo chamado de "Sutra do Coração". O robô faz orações, responde perguntas e dá conselhos em japonês, com traduções em inglês e chinês projetadas em uma tela para turistas.

"A inteligência artificial se desenvolveu de tal forma que achamos lógico que o Buda se transformasse em um robô", disse Tensho Goto, monge do templo. "Obviamente, uma máquina não tem alma, mas a fé budista não é acreditar em Deus. É sobre seguir o caminho de Buda, então não importa se é representado por uma máquina, um pedaço de ferro ou uma árvore”.

Mindar e o monge Tensho Goto. Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP

E parece que a estratégia deu certo. O robô, que custa US$ 1 milhão, está há alguns meses em serviço no templo, e a Universidade de Osaka entrevistou as pessoas sobre a experiência de interagir com o monge androide. Muitos japoneses mostraram que a interação foi positiva. "Eu senti um calor que você não sentiria em uma máquina comum", disse um dos fiéis entrevistados.

Outro frequentador do templo disse que "no começo, pareceu um pouco antinatural, mas o androide foi fácil de acompanhar. Isso me fez pensar profundamente sobre o certo e o errado”. Um dos motivos para a aceitação por parte do público japonês é a cultura daquele país sempre incluir robôs, desde os mangás dos anos 50, os filmes, animações até os androides se tornarem realidade no país.

"Os japoneses não têm nenhum preconceito contra os robôs. Fomos educados nos quadrinhos, onde os robôs são nossos amigos. Os ocidentais pensam de forma diferente", explicou Goto. De fato, estrangeiros não reagiram muito bem ao monge Mindar. "Pode ser a influência da Bíblia, mas os ocidentais o compararam ao monstro de Frankenstein", acrescentou Goto.

Mindar traduz suas mensagens para o chinês e o inglês. Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Apesar de a ideia ser baseada em conectar-se melhor com os jovens, Goto deixa claro que não é uma estratégia marketeira. “O objetivo do budismo é aliviar o sofrimento. Este robô nos ensina formas de superar a dor. Está aqui para salvar qualquer um que busque ajuda”.

Tratando-se de uma inteligência artificial, o monge humano do templo espera que a inteligência artificial possa evoluir com o tempo. “Essa é a beleza dos robôs. Eles podem armazenar conhecimento para sempre e sem limites. Com a inteligência artificial, nós esperamos que seu conhecimento cresça para que ele possa ajudar as pessoas a superarem os mais difíceis desafios”.

Fonte: Mashable, Fox News

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