Robôs inspirados em répteis escalam paredes em laboratório na Austrália

Por Gustavo Minari | 31 de Março de 2021 às 16h40
University of Sunshine Coast

Os robôs estão, literalmente, subindo pelas paredes. Pesquisadores da University of the Sunshine Coast, na Austrália, criaram um protótipo inspirado no movimento dos lagartos e na sua habilidade de escalar obstáculos.

A máquina chamada de X-4 tem pouco mais de 24 centímetros de comprimento e suas pernas e pés foram programados para imitar o andar desses répteis habituados a caminhar por lugares de difícil acesso. Segundo a autora do projeto, Johanna Schultz, em quatro anos de pesquisa sua equipe descobriu que os lagartos utilizam a melhor configuração possível de movimentos, combinando velocidade e estabilidade para escalar objetos sem cair.

Esquema de funcionamento do X-4 (Imagem: Reprodução/University of the Sunshine Coast

Desafiando a lei da gravidade

Para se manterem firmes em paredes com inclinação de 90 graus, os lagartos giram em 20 graus os seus pés dianteiros enquanto os traseiros são girados em 100 graus. Além disso, eles utilizam a velocidade para não perder a aderência durante a escalada. Ao copiar esses movimentos de rotação e aceleração, os robôs também conseguem se locomover em superfícies verticais.

“Ao compreender quais parâmetros influenciam a locomoção de um animal, podemos definir como um robô deve se parecer e como deve se mover, dependendo do que queremos que ele faça: seja rápido, estável ou algo no meio ", disse a doutora Schultz.

Observando répteis como as salamandras, os engenheiros também descobriram que os robôs poderiam escalar distâncias maiores se usassem uma combinação de movimentos entre os membros e a coluna vertebral. Para o supervisor da pesquisa, professor Christofer Clemente, se quisermos construir robôs mais eficientes, o primeiro lugar que devemos procurar é na natureza.

Na prática

O desenvolvimento de robôs com características animais não é novidade. Spot, o cachorro cibernético da Boston Dynamics, chocou o mundo com sua capacidade de interação com o ambiente e com seres humanos. Agora, o X-4 dá os primeiros passos para a criação de máquinas que podem ajudar em operações de busca e resgate em locais remotos, inclusive com o recurso de escalar paredes.

Futuras missões a Marte, por exemplo, poderiam ganhar um aliado e tanto. Os atuais rovers que visitam o Planeta Vermelho não podem chegar a muitos lugares porque usam rodas comuns. Já um robô com capacidade de escalar obstáculos verticais poderia facilmente ir a locais até hoje desconhecidos pela humanidade.

Rover Perseverance com rodas "normais" na superfície de Marte (Imagem: Reprodução/NASA)

A evolução deu aos lagartos todos os instrumentos para se locomoverem com rapidez e eficiência. Foram milhões de anos para desenvolver uma habilidade que hoje é instintiva. Todo o trabalho duro já foi feito, resta aos seres humanos copiar e aprimorar a “tecnologia” natural das coisas.

Você acha que os robôs inspirados em animais vão se tornar cada vez mais comuns e úteis à humanidade? Qual é o seu "robô-pet" preferido? Comente.

Fonte: The Royal Society

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