Invenção abre caminho para próteses inteligentes com memória

Por Fidel Forato | 21 de Outubro de 2019 às 10h10

Fruto de pesquisas na área da biologia com animais de corpo mole, como moluscos e minhocas, e avanços na área da robótica, pesquisadores dos Estados Unidos e da China desenvolveram um dispositivo robótico maleável e flexível com ligações nervosas. O neurorrobô mole tem uma “pele” sensorial tátil e neurologicamente integrada, o que o permite sentir interações com o ambiente externo e responder de acordo.

Cunjiang Yu, Bill D. Cook, professor associado da Universidade de Houston, no Texas, afirma que o trabalho representa um passo significativo em direção ao desenvolvimento de novos modelos de próteses artificiais, mais inteligentes. Essas próteses do futuro poderiam se conectar diretamente aos nervos periféricos, aqueles que são responsáveis pelo movimento de braços e pernas, nos tecidos biológicos, oferecendo função neurológica para os pacientes.

O pequeno robô é um primeiro passo na direção das próteses inteligentes com conexões neurais por ser capaz de realizar julgamentos e até pensar, como o pesquisar Yu exemplifica em trabalho publicado na Science Advances. "Quando a pele humana é tocada, você sente o toque", explica Yu descrevendo paralelo entre as capacidades humanas e as funções que o novo dispositivo pode simular. Essa sensação do toque se origina no seu cérebro, a partir dos sinais emitidos por sensores da pele.

Imagem do robô flexível e com memória

Inspirados pela natureza humana, os pesquisadores projetaram transistores sinápticos artificiais, espécie de neurônios artificiais, que continuam a funcionar mesmo após serem esticados em até 50%. Embora a função neurológica do experimento seja menos eficiente do que a humana, a equipe de cientistas afirma que a invenção marca um passo importante rumo a sistemas de engenharia mais poderosos em um futuro próximo.

Descrito pelos pesquisadores com características de alongamento semelhantes às de um elástico, o robô apresenta funções similares as das sinapses, o que permitirá criar memórias de curto prazo e também memórias de longo prazo. Outra característica importante é a pele sensorial tátil do invento, que permite "o neurorrobô detectar as batidas físicas e se locomover, de forma programada, através de sinais codificados na memória", conclui o pesquisador.

Fonte: Robo Daily

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