"Cocô magnético" pode recuperar objetos engolidos acidentalmente
Por Gustavo Minari • Editado por Douglas Ciriaco |

Pesquisadores da Universidade de Hong Kong, na China, desenvolveram um robô feito com lodo magnético que pode ser usado para navegar pelo sistema digestivo em busca de objetos engolidos acidentalmente. Segundo seus criadores, o bot foi projetado para se esgueirar por passagens estreitas, como ocorre no intestino humano.
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O robô é feito com a mistura de um polímero chamado álcool polivinílico, bórax — muito utilizado em detergentes comuns e produtos de limpeza —, um tipo especial de resina e partículas magnéticas de neodímio. Esses componentes dão ao bot propriedades viscoelásticas, ou seja, às vezes ele se comporta como sólido e, em outras, como líquido.
“É como misturar água com amido de milho em casa. A junção dos dois produz um fluido não newtoniano cuja viscosidade muda sob força. Quando você o toca muito rapidamente, ele endurece. No entanto, ao ser tocado suavemente, ele se liquidifica, facilitando sua passagem por espaços apertados”, explica o professor Li Zhang, coautor do estudo.
"Cocô magnético"
Nas redes sociais, a bolha magnética de cor escura ganhou o apelido de “cocô magnético” — por motivos óbvios —, além de ser comparada a uma substância verde e pegajosa que apareceu no filme de ficção científica Flubber, de 1997, estrelado por Robin Williams.
Apesar das brincadeiras, seus inventores garantem que o dispositivo de lodo magnético pode ser usado em aplicações médicas no mundo real, sendo muito útil em incursões pelo sistema digestivo e na redução de danos causados pela ingestão de pequenos objetos, como moedas, baterias e outros materiais metálicos.
“Para evitar o vazamento de eletrólitos tóxicos presentes em uma bateria, por exemplo, talvez possamos usar esse tipo de robô de lodo magnético para fazer um encapsulamento, formando algum revestimento entre o objeto e a parede do intestino”, acrescenta Zhang.
Viagem segura
Como as partículas magnéticas presentes no robô são muito tóxicas, os pesquisadores revestiram a parte externa do lodo com uma camada de sílica para formar uma película protetora, garantindo que o bot navegue com segurança pelas entranhas do corpo humano.
Segundo os cientistas, também é possível adicionar pigmentos ou corantes ao robô para que, em vez de marrom, ele se torne mais colorido, facilitando sua identificação no organismo e reduzindo as comparações com os dejetos encontrados nos locais de atuação do bot magnético.
“O objetivo final é implantá-lo como um robô, fácil de manusear e de enxergar. Como ainda estamos tentando entender as propriedades desse material, precisamos torná-lo o mais seguro possível, prevendo sua permanência no corpo humano de forma gradual”, encerra o professor Li Zhang.
Fonte: NewScientist