Cientista brasileiro ensina robô com cérebro neandertal a andar

Por Jessica Pinheiro | 10 de Setembro de 2018 às 15h38

As máquinas estão evoluindo cada dia mais. A mais recente descoberta faz parte da pesquisa encabeçada pelo geneticista brasileiro Alysson Muotri. Seu estudo recriou um cérebro neadertal artificialmente, e, após inseri-lo em um pequeno robô, o mesmo foi ensinado a andar.

Muotri faz parte da Faculdade de Medicina e é diretor do Programa de Células-tronco da Universidade da Califórnia, em San Diego. Para o experimento, ele desenvolveu primeiramente "minicérebros" de neandertais, uma subspécie humana misteriosamente extinta há milhares de anos. Esses "minicérebros" (chamados assim porque têm quase o tamanho de uma ervilha), possuem conexões neurais parecidas com as de um bebê.

Em entrevista ao UOL, Muotri explicou que esse aspecto primitivo é justamente o que está sendo explorado, pois quando bebês nascem, eles "não têm redes neurais maduras", e vão aprendendo conforme suas experiências ao explorarem ambientes. Os robôs que receberam esses minicérebros são pequenos possuem o aspecto de uma aranha.

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(Imagem: David Paul Morris/Universidade da Califórnia)

Por ter este formato, eles precisam aprender a coordenar suas pernas para, assim, se locomoverem. "Nós ajudamos esses cérebros a transmitir o sinal elétrico para esse robô fazendo-o aprender a andar para frente". Com esta etapa concluída, o cientista agora busca ensinar o minicérebro a recuar, colocando o robô contra um obstáculo, uma parede, a qual não conseguirá ultrapassar."Isso fará com que a rede neural dele sofra um rearranjo. A partir disso, vamos utilizar um computador para ensinar ao robô de que toda vez que houver um rearranjo, ele tem que andar para trás", explica Muotri.

Cérebros neandertais

Os genes que diferem os humanos dos neandertais são, aparentemente, poucos. As principais diferenças são as atividades neurológicas. Com o desenvolvimento dos minicérebros, Muotri notou que eles se desenvolveram de forma diferente dos cérebros humanos, a começar pelo formato.

Nosso cérebro é uma estrutura redonda e homogênea e o dos neadertais lembra uma pipoca. Além disso, os minicérebros formam menos conexões neurais e possuem comportamento diferente — uma redução de sinapses e redes neurais alteradas que influenciam em seu comportamento, lembrando muito o autismo.

(Imagem: Alysson Muotri/ScienceMag)

Ainda, o cérebros neandertais são muito jovens e precisam se desenvolver. Só assim os estudos poderão avançar e as suposições serão melhor fundadas a seu respeito. De acordo com um estudo feito no Japão, os primeiros homo sapiens não tiveram cérebros maiores que os neandertais e tinham estruturas cerebrais muito diferentes, em especial, um cerebelo maior.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Keio e foram coletados dados de 1.095 participantes (humanos) para examinar a relação entre o tamanho do cerebelo, além de suas habilidades de compreensão e produção de linguagem, bem como a memória de trabalho. Os resultados sugerem que a estrutura cerebral dos primeiros homo sapiens tinha habilidades cognitivas e sociais melhores do que os neandertais — o que pode explicar por que humanos sobreviveram em diferentes ambientes e os neandertais, não.

Fonte: UOL, Mirror

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