Uber fecha o ano fiscal de 2019 com perdas de US$ 8,5 bi, mas prevê recuperação

Por Claudio Yuge | 06 de Fevereiro de 2020 às 21h20
Tudo sobre

Uber

Saiba tudo sobre Uber

Ver mais

A Uber apresentou nesta quinta-feira (6) os números do quarto trimestre de 2019, e a conta aparece no vermelho. Embora tenha faturado US$ 4,1 bilhões no Q4, a receita ficou negativa no valor de US$ 1,1 bilhão e segue a queda dos outros meses, quando chegou a amargar impressionantes perdas de US$ 5,2 bilhões entre abril e junho da temporada passada. No total, o déficit acumulado durante os 12 meses foi de US$ 8,5 bilhões.

Do prejuízo de US$ 1,1 bilhão no final de 2019, a Uber diz que US$ 243 milhões foram destinados a compensações baseadas em ações. As reservas brutas, ou o total de pagamentos de clientes à Uber antes de pagamentos a motoristas e outras taxas ou descontos, aumentaram para US$ 18,1 bilhões, o que representa um crescimento de 28% em relação ao ano anterior.

Na Bolsa de Valores de Nova York, os papéis da companhia não chegaram a ser influenciados pelo relatório e foram negociados a US$ 37,09, com ligeira alta de 0,28% no final do dia. Mesmo com esses números, a expectativa é de recuperação em 2020, pois, segundo o CEO Dara Khosrowshahi, “2019 foi um ano de transformação”, especialmente por conta de esforços para manter seus setores mais financeiramente sustentáveis e em expansão.

Imagem: Reprodução/Investing

“Reconhecemos que a era do crescimento a todo custo acabou. Em um mundo em que os investidores exigem cada vez mais não apenas crescimento, mas crescimento lucrativo, estamos bem posicionados para vencer com inovação contínua, excelente execução e escala incomparável de nossa plataforma global”, disse o executivo.

Uber amplia atividades, mas sofre pressão de investidores

Obviamente, quem não vem gostando nada dos resultados de 2019 são os acionistas, que exigem medidas de contenção das perdas e busca por maior lucratividade. Assim como a concorrente Lyft, a Uber começou a perder dinheiro rapidamente após uma mal-sucedida abertura de capital em maio do ano passado — e, desde então, sua sustentabilidade a longo prazo vem sendo questionada.

Para contornar os problemas, a Uber vem ampliando as margens em outras frentes, como as corridas premium e corporativas, o serviço de entregas Uber Eats e de fretes Uber Freights. Além disso, houve demissão de cerca de 1 mil trabalhadores em 2019 e reestruturação em vários setores internos.

Um dos grandes obstáculos para esta temporada é entrar em acordos com os reguladores, que pressionam cada vez mais a companhia a se ajustar oficialmente na área do transporte, e não da tecnologia — o que representa um grande aumento dos custos com benefícios e outros investimentos para legalizar seus motoristas.

O CEO Dara Khosrowshahi (Imagem: Reprodução/Reuters)

O impacto disso já vemos na Califórnia, onde a Uber passou a sofrer restrições para classificar seus condutores como contratados independentes; e em Londres, onde perdeu a licença devido a inconsistências em sua documentação. Esses casos vêm gerando preocupantes prerrogativas, que aos poucos estão chegando em outros países, inclusive na Colômbia, onde deixa de operar neste mês.

Com esse cenário, o CEO Dara Khosrowshahi adiantou aos investidores um discurso mais realista, dizendo que o lucro só virá mesmo em 2021, a partir de um cronograma desafiador de números mais favoráveis no últimos três meses de 2020.

Fonte: Uber  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.