Mercado de PCs no Brasil cai 12,6% no segundo trimestre de 2020, diz IDC

Por Rui Maciel | 19 de Agosto de 2020 às 15h40

Pesquisa realizada pela consultoria IDC indica que uma eventual reação do mercado de PCs no Brasil não se confirmou, mesmo com a quarentena forçada pela crise do coronavírus, quando o home office e as aulas online se consolidaram Isso porque o estudo registrou uma queda de 12,6% nas vendas de computadores no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.

A pesquisa, que leva o nome de Brazil PCs Tracker 2Q2020, computou vendas de 1,265 milhão de máquinas entre abril, maio e junho de 2020, 183 mil a menos do que no 2º trimestre de 2019 e 205 mil menos do que no 1º trimestre deste ano. O maior impacto foi causado pelo mercado corporativo, para quem foram endereçadas 359.538 máquinas, sendo 137.892 desktops e 221.646 notebooks.

"Mais do que uma terrível crise sanitária, as empresas estão enfrentando uma crise de fluxo de caixa e precisam congelar investimentos", explica Rodrigo Okayama Pereira, analista de mercado da IDC Brasil. Segundo ele, o aumento de preços devido ao valor do dólar e mudanças nas cobranças do IPI e ICMS também influenciaram as compras empresariais no período. O destaque positivo do mercado corporativo foi o setor educacional, que continuou indo às compras no segundo trimestre e cresceu 11,2%.

Mercado de PCs brasileiro no 2º trimestre não apresentou a reação esperada, segundo o IDC

No entanto, a pesquisa do IDC aponta que desempenho do varejo foi melhor. Lojas físicas, e-commerce e supermercados, que por se manterem abertos durante toda a quarentena, surpreenderam como pontos de venda de computadores. Nesses pontos foram comercializados 906.423 máquinas, sendo 111.072 desktops e 795.351 notebooks. "O que chamou atenção foi o crescimento de 90% (ano a ano) de máquinas de alto desempenho", afirmou Okayama. "[É algo significativo], apesar de ainda representarem nichos de mercado, como gamers, editores de arte, fotógrafos, arquitetos etc, que precisam de máquinas de alta performance, com maior poder de processamento. [Nessa modalidade foram comprados] 92 mil notebooks e 20,4 mil desktops", explicou o analista.

Preços seguem caminho inverso

Mas, se as vendas dos PCs caíram, os preços subiram. Entre abril, maio e junho do ano passado, um desktop custava, em média, R$2.150, e um notebook R$2.670. Um ano depois, o preço médio do desktop ficou em R$3.607,08 e do notebook em R$4.342,45, altas de 67,8% e 62.6%, respectivamente.

Já em relação aos três primeiros anos de 2020, a alta foi de 46,7% para desktops e de 38,2% para notebooks. "O segundo trimestre foi marcado pelo repasse de preços para o consumidor", afirma Rodrigo. Quanto à receita total, a do mercado de computadores no 2º trimestre de 2020 foi de R$5,314 bilhões, ante R$4,545 do 2º tri de 2019 e ante R$5,252 do 1º tri de 2020.

Crescimento cauteloso

Para os próximos meses, a previsão da IDC Brasil para o mercado de computadores nacional é de crescimento, ainda que cauteloso, com 1,2% no 3º tri e de 3,5% no 4º tri de 2020. "Aos poucos as empresas estão voltando a fazer negócios, principalmente as pequenas e médias, que sofreram muito com a pandemia, mas têm condições de reagir mais rapidamente", explica o analista. "Ao mesmo tempo, observamos índices ascendentes de confiança, mas nada que represente uma grande virada. De certo mesmo, é que os notebooks vão fazer os números do ano, tanto no varejo como no mercado corporativo".

Para o restante de 2020, a previsão é de crescimento tímido na venda de PCs no Brasil

Por fim, para 2020 de forma geral, a estimativa da IDC Brasil é que o mercado de PCs apresente crescimento de 4,4% no varejo, mas com queda de 9,9% no setor corporativo.

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