Uso do Facebook caiu 20% desde o escândalo Cambridge Analytica

Por Felipe Demartini | 23 de Junho de 2019 às 11h35
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Os escândalos de privacidade e a dificuldade do Facebook em lidar com sua amplitude machucou a empresa onde mais dói: o engajamento. De acordo com uma pesquisa publicada no Reino Unido, a utilização da rede social caiu 20% desde abril de 2018, quando foram detonados os escândalos da Cambridge Analytica, uma das maiores crises de privacidade que a companhia já sofreu.

Os números da Mixpanel, uma consultoria britânica de análise de mercado, mostram uma redução brusca no total de curtidas, postagens e compartilhamento já no primeiro mês após as denúncias. Segundo a pesquisa, o engajamento caiu mais de 10% apenas nos primeiros 30 dias após as notícias sobre a violação da Cambridge Analytica, com os números continuando a cair ao longo do ano seguinte até se estabilizarem no patamar atual.

Picos, entretanto, levaram a empresa em direções opostas. O verão de 2018 no hemisfério norte, por exemplo, mostrou sinais de recuperação, assim como o período eleitoral, com votações acontecendo em diferentes países do mundo, incluindo o Brasil, entre setembro e outubro do ano passado. São momentos de maior movimentação que, após o fim, normalmente levaram a mais uma queda brusca na medida em que agentes políticos deixavam de usar a plataforma.

Não ajudou, ainda, o fato de diferentes escândalos terem se seguido ao da Cambridge Analytica. Além do constante, e nem sempre vitorioso, combate às fake news e discurso de ódio, o Facebook viu 50 milhões de seus usuários sendo comprometidos em uma brecha de segurança divulgada em setembro do ano passado, além de estar envolvido em diferentes polêmicas envolvendo manipulação política e esforços de desinformação durante eleições nos EUA, Brasil, Índia e outros países do mundo.

Os números da Mixpanel vão de encontro às estatísticas publicadas pelo próprio Facebook; entretanto, há de se levar em conta que a rede social usa métricas diferentes para essa medição. Ela nega que tenha sido atingida grandemente pelos recentes escândalos de privacidade e aponta para um crescimento no número diário e mensal de usuários. De acordo com o mais recente relatório financeiro da empresa, houve aumento de 8% nesses dois aspectos ao final de março de 2018.

Os dois dados, porém, podem ser unidos. O total de pessoas utilizando o Facebook pode até ter aumentado, mas as informações da Mixpanel apontam para uma redução no engajamento e no tempo que os cidadãos estão passando na plataforma, um dado até mais essencial que o número absoluto, uma vez que, para fins de publicidade, mais vale um utilizador atento à rede social do que aquele que acessa sem comprometimento e de maneira rápida, mesmo que uma vez por dia.

Os níumeros da Mixpanel ainda concordam com os divulgados pelo eMarketer, outra consultoria de análise de mercado, que detectou um movimento pequeno, mas constante, de desaceleração do Facebook nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, também publicado neste mês de junho, o tempo diário de utilização da rede social entre os americanos caiu de 41 minutos, em 2017, para 38 minutos. Os jovens seriam o principal grupo a abandonar a plataforma, seja por se interessarem por outros serviços ou, simplesmente, por estarem insatisfeitos com o estado atual das coisas.

O Facebook não comentou os dados divulgados pela Mixpanel e não costuma falar em números de utilização fora de seus relatórios financeiros, com exceção dos momentos em que bate recordes ou tem estatísticas relevantes para divulgar. Uma eventual queda no engajamento, com certeza, não se encaixa nesse segundo quesito.

Fonte: The Guardian

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