Twitter vai proibir anúncios políticos

Por Fidel Forato | 30 de Outubro de 2019 às 17h53

Na contramão do Facebook, que enfrenta protestos de seus funcionários contra mudanças em sua política de moderação de anúncios de cunho político, o Twitter deixará de aceitar anúncios políticos na plataforma a partir do final de novembro, como anunciou o CEO da empresa, Jack Dorsey, nesta quarta (30).

Na nova política da rede social, apenas anúncios de apoio ao registro de eleitores ainda serão permitidos. "Decidimos interromper toda a publicidade política no Twitter globalmente. Acreditamos que o alcance da mensagem política deve ser conquistado, não comprado”, afirma Dorsey, em sua conta na rede do passarinho.

Segundo o CEO, uma mensagem política ganha alcance quando as pessoas seguem uma conta ou retuitam o conteúdo. E quando a publicação e o alcance são pagos, a decisão de ser impactada pelo conteúdo é retirada das pessoas.

Para Dorsey, a decisão política das pessoas não deve ser influenciada nem comprometida por dinheiro. O executivo afirma que, embora a publicidade na internet seja incrivelmente poderosa e eficaz para anunciantes, esse poder traz riscos significativos quando envolve política, e pode ser usado para influenciar votos, afetando a vida de milhões de pessoas.

CEO do Twitter, Jack Dorsey, anuncia fim de anúncios políticos na rede social

De acordo com o CEO, os anúncios políticos da Internet apresentam desafios totalmente novos ao discurso cívico: otimização baseada em aprendizado de máquina de mensagens e segmentação múltipla, informações enganosas não verificadas e falsificações profundas. Tudo com velocidade crescente, sofisticação e escala esmagadora. Para ele, é melhor focar os esforços nos problemas gerados pela desinformação, sem a carga e complexidade adicionais que o dinheiro traz. O executivo afirma que tentar consertar ambos significa consertar nenhum bem e prejudicar a credibilidade da rede social.

O conjunto de regras do Twitter que interrompem a publicidade política será divulgado em no próximo dia 15, o que incluirá algumas exceções, segundo Dorsey, como anúncios de apoio ao registro de eleitores para que eles compareçam às votações. A nova política de publicidade do Twitter entrará em vigor no dia 22 de novembro, oferecendo tempo suficiente para que os anunciantes atuais se adaptem.

A decisão de não aceitar propaganda política paga no Twitter é válida globalmente, mas vale lembrar que, no caso específico do Brasil, essa possibilidade já não era oferecida anteriormente.

Ponto Crítico

O disruptivo anúncio de Jack Dorsey veio poucos minutos antes do Facebook divulgar seus ganhos no terceiro trimestre, como uma mensagem bem clara, tuitada pelo próprio CEO da rede de microblogging: de que "não se trata de liberdade de expressão. Trata-se de pagar pelo alcance [de um discurso]".

O Facebook, por outro lado, manteve sua política controversa de permitir anúncios políticos sem verificação de fatos, o que abre precedentes para lucro com impulsionamento de fake news. Vale lembrar que o Facebook é de longe a maior plataforma da Internet para publicidade e impacta muito mais o debate político.

A controvérsia vem ofuscando os últimos três meses do Facebook, mas por enquanto a discussão não chegou nos seus bolsos. A empresa registrou ganhos acima do esperado, com US$ 6 bilhões em lucro e US$ 17,7 bilhões em vendas. Assim, o Facebook fica cada vez maior, à medida que combate as verificações de sua influência.

Nesse cenário, a empresa de Marck Zuckerberg continua a se ver como um árbitro neutro para todos os pontos de vista, com sua própria política de liberdade de expressão. “Os anúncios podem ser uma parte importante da voz — especialmente para candidatos e grupos de defesa que a mídia talvez não cubra”, defende Zuckerberg em anúncio, após a dvulgação do balanço.

Fonte: The Verge

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