Terceirizada do Facebook teria pedido informações sobre terapias de moderadores

Por Nathan Vieira | 21 de Agosto de 2019 às 15h05
Unsplash

Trabalhar como moderador de conteúdo do Facebook consiste, basicamente, em passar o dia analisando as piores postagens feitas na rede social em questão. Tendo em mente que o conteúdo muitas vezes pode chegar a ser perturbador, esses funcionários precisam passar por um psicólogo da empresa com frequência. No entanto, na última sexta-feira (16), alguns funcionários do Centro de Revisão de Conteúdo, um escritório da Accenture (empresa contratada para fazer a consultoria para o Facebook no Texas, Estados Unidos), revelaram ao portal norte-americano The Intercept que a gerência exigiu que os psicólogos mostrassem o que estava sendo dito pelos funcionários durante as sessões.

A Accenture é responsável por supervisionar o trabalho de cerca de 1.500 moderadores de conteúdo. Os funcionários denunciaram, por meio de uma carta, que a Accenture vem tentando, desde julho, descobrir o que foi dito durante as sessões de terapia pelas quais passam estes trabalhadores.

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"Chegou ao nosso conhecimento que um gerente da Accenture pressionou um terapeuta licenciado da WeCare para divulgar o conteúdo de sua sessão com um funcionário. O terapeuta recusou, declarando preocupações com confidencialidade, mas o gerente insistiu em afirmar que, por não ser um ambiente clínico, a confidencialidade não existia", diz a carta. "O terapeuta novamente se recusou. Essa pressão sobre um terapeuta licenciado para divulgar informações confidenciais é, na melhor das hipóteses, uma negligente quebra de confiança no programa de bem-estar e, na pior das hipóteses, uma violação ética e possivelmente uma violação legal", os funcionários acrescentam na carta ao The Intercept.

Moderadores de conteúdo do Facebook denunciam supervisor por invasão de privacidade

Os funcionários querem que o cliente seja removido, e contam que os terapeutas começaram a pedir demissão depois de serem pressionados a compartilhar o que foi dito durante as sessões. O portal norte-americano afirma que não ficou claro o tipo de informação que o executivo da Accenture esperava encontrar.

Uma vez questionada pelo Intercept, a Accenture defende: “Essas alegações são imprecisas. O bem-estar de nosso pessoal é nossa principal prioridade, e nossas equipes de confiança e segurança em Austin têm acesso irrestrito ao suporte de bem-estar. Além disso, nosso programa de bem-estar oferece aconselhamento proativo e sob demanda e é apoiado por um forte programa de assistência aos funcionários". A terceirizada ainda completa: "Nosso pessoal é incentivado a levantar preocupações de bem-estar por meio desses programas. Também analisamos, avaliamos e investimos continuamente em nossos programas de bem-estar para criar o ambiente de trabalho mais favorável — com frequência buscando informações de especialistas do setor, profissionais da área médica e nosso pessoal".

O Canaltech procurou o Facebook para obter esclarecimentos sobre o assunto e para compreender o que acontece com a equipe brasileira de moderadores de conteúdo. Por email, a assessoria de imprensa da rede social afirmou que não existem centros de moderação de conteúdo no Brasil. Por isso, o Facebook não contrata empresas brasileiras para fazer esse tipo de atividade.

Já em relação ao acontecimento em si, o posicionamento global da empresa é esse: "Todos os nossos parceiros devem desenvolver um plano de resiliência que é revisado e aprovado pelo Facebook. Isso inclui uma abordagem holística de bem-estar e resiliência que priorize as necessidades de seus funcionários. Todos os líderes e especialistas em bem-estar recebem treinamento sobre o que os especialistas podem ou não compartilhar, e embora não acreditemos que tenha havido uma violação de privacidade neste caso, estamos aproveitando a oportunidade para enfatizar novamente este treinamento para toda a organização".

Fonte: The Intercept via Gizmodo

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