Instagram vai revisar algoritmo para garantir tratamento igualitário a minorias

Por Rafael Arbulu | 16 de Junho de 2020 às 10h42
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O Instagram vai revisar o seu próprio algoritmo para aprimorá-lo e trazer recomendações de conteúdo que tratem minorias de forma mais igualitária dentro da plataforma. O anúncio foi feito pelo CEO da empresa, Adam Mosseri, em seu perfil oficial no Twitter. Segundo o executivo, o objetivo é assegurar que públicos constituídos de minorias tenham uma plataforma justa para expressar suas vozes sem que ferramentas tecnológicas gerem impedimento.

Em seus tuítes, Mosseri tocou em assuntos como discordâncias na remoção de conteúdos promovidos por criadores de conteúdos negros, afirmando que a inspeção interna dos algoritmos da rede social será baseada em quatro pilares: assédio, verificação de contas, distribuição de conteúdo e viés de algoritmo. Destes, “viés de algoritmo” e “distribuição de conteúdo” possuem uma relação direta, já que o chefão do Instagram afirma que a maior parte dos usuários da plataforma dedicam mais tempo no feed ou na aba “Explorar” — ambas diretamente impactadas pela sugestão de conteúdo advinda da inteligência artificial aplicada pela empresa.

Adam Mosseri, CEO do Instagram (Imagem: Divulgação/Instagram)

Mosseri também falou sobre a limitação de distribuição de certas postagens dentro do Instagram — uma prática conhecida como “shadowbanning”, ou seja, o perfil e o conteúdo postado não são necessariamente “banidos” da plataforma, mas são afetados por um impedimento artificial de chegar a mais pessoas, seja por ele não aparecer em destaque na aba “Explorar” ou por outro motivo. Mosseri prometeu mais informações sobre como isso funciona e quais tipos de conteúdo o Instagram “rebaixa”.

Finalmente, a rede social vai investigar se há algum tipo de pré-julgamento inconsciente de seu algoritmo, sem informar exatamente o que estaria procurando nessa parte. No entanto, no passado, essa foi uma das acusações sofridas pela rede social ao atuar especificamente no baixo desempenho de postagens em assuntos voláteis.

“Esses esforços não vão parar a disparidade pelas quais as pessoas podem passar simplesmente com base na raça”, disse Mosseri. “Nós também vamos avaliar como podemos servir melhor as minorias representadas que usam o nosso produto. No último ano, o feedback que recebemos de comunidades como grupos LGBTQ+, ativistas da positividade do corpo e artistas nos ajudou a construir uma plataforma mais inclusiva”.

A medida tomada pelo Instagram, embora voluntária, segue a tendência de diversas empresas que passaram a revisar suas políticas internas em busca de uma melhor representação de públicos de minoria, contemplando-os de maneira igualitária em seus produtos e serviços. Tudo isso começou com os recentes protestos atrelados ao movimento “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”, na tradução literal), que teve o apoio de diversas empresas em vários setores, desde a indústria alimentícia até plataformas e fabricantes dos videogames.

O Instagram não informou quanto tempo essa “inspeção interna” vai durar.

Fonte: Adam Mosseri

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