Facebook cria iniciativa de controle de dados para pesquisa acadêmica

Por Wagner Wakka | 11 de Julho de 2018 às 16h05
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Depois dos escândalos envolvendo a empresa Cambridge Analytica, o Facebook resolveu criar uma comissão de pesquisadores para estudar as consequências sociais e políticas do uso de redes sociais, bem como da exploração nestes âmbitos de dados coletados digitalmente.

Nesta quarta-feira (11), a companhia de Mark Zuckerberg apresentou a iniciativa Social Science One. De acordo com comunicado oficial, trata-se de uma nova parceria entre áreas acadêmicas e da indústria para analisar os problemas relacionados à quantidade de dados que se têm com o uso de redes sociais. Ainda, o time tem a responsabilidade de controlar os dados fornecidos pela rede social para uso acadêmico.

“Isso [a iniciativa] garante que o público mantenha sua privacidade enquanto obtém valor social da pesquisa acadêmica. E também permite que a empresa se alinhe à comunidade científica na ajuda para a produção de um bem social, na medida em que protegem suas posições competitivas”, informa o comunicado.

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Em outras palavras, a proposta deste grupo é tentar resolver o dilema atual que consiste em criar um modelo de negócio viável para o uso de dados nas redes sociais, sem que isso custe a privacidade do usuário.

Esta iniciativa acontece poucos meses após os escândalos do Cambridge Analytica, que resultou no uso indevido de dados de mais de 87 milhões de usuários na rede social. Neste caso, a empresa coletava dados de usuários sob o pretexto de que seriam utilizados para pesquisas acadêmicas, ligadas a um laboratório da Universidade de Cambridge. Somente depois que se soube que as informações haviam sido usadas para criação de campanhas políticas como a de Donald Trump e do Brexit, que resultou da saída do Reino Unido da União Europeia.

Além disso, o grupo pretende também estudar não somente questões econômicas, mas aspectos políticos e influência das redes sociais em pleitos eleitorais. O primeiro projeto divulgado se chama “os efeitos da rede social na democracia e em eleições”.

Para isso, o Social Science One será financiado por sete empresas sem fins lucrativos, entre elas a The William and Flora Hewlett Foundation, criada por um dos fundadores da Hewlett Packard (HP). No site oficial da fundação, contudo, há a descrição de que ela é totalmente independente tanto da HP, quanto da Hewlett Packard Company Foundation. Todas as fundações são garantidas e verificadas pelo Social Science Research Council, dos Estados Unidos.

Dessa forma, caso um pesquisador queira realizar um trabalho usando a plataforma em parceria com o Social Science One, ele receberá um aporte financeiro dessas sete instituições e passará por análise interna.

Acesso a dados

Para que uma pessoa ou instituição possa participar de pesquisas relacionadas ao grupo, precisa conter alguns critérios disponíveis no site da Social Science One, entre elas, receber aprovação de conselhos internacionais análise de projetos.

Com isso, o grupo passa a fornecer aporte financeiro e acesso a dados. Para este último tópico, o Social Science One informa que não haverá abertura indiscriminada para utilização de informações do usuário.

“O processo funciona da seguinte forma: o Social Science One identifica e, junto com o Facebook, prepara um conjunto de dados úteis para responder às perguntas dentro do escopo e avisa sobre a disponibilidade aos escritores. Grande parte dos dados continuará disponível para propostas submetidas ao longo do tempo e alguns podem inclusive aumentar se observações adicionais passarem a ser disponíveis na plataforma”, informa o site.

Ainda, o grupo deixa bem claro que as instituições financiadoras não poderão pressionar ou buscar os pesquisadores para estimular pesquisas de seus interesses. “Empresas privadas e fundações sem fins lucrativos que financiam os pesquisadores não têm papel em escolher os pareceristas ou mesmo decisões de financiamento”, esclarece o site.

Aceleração do processo

Outro problema levantado pelo grupo é o de que a rede social muda muito mais rápido do que a capacidade de pesquisadores acadêmicos têm a capacidade de publicar seus estudos. Para isso, o Social Science One criou um programa chamado “peer pré-review” (algo como pré-parecer, em tradução).

A proposta é de que um grupo de pesquisadores anônimos possa, em um período de uma semana, enviar um parecer sobre o trabalho apresentado ao grupo, mesmo que ainda em etapa de não publicação. A proposta é de que estes pré-pareceristas possam já escrever um parecer sobre o trabalho como se fosse para uma publicação científica.

“Raramente demora mais de um dia para preparar um parecer depois de encaminhado. O mais demorado é a espera para a publicação achar um parecerista e este encontrar um tempo em sua agenda para fazer o trabalho. O incentivo financeiro do Social Science One pretende garantir que pareceristas aceitem a responsabilidade e se comprometam com o tempo”, explica. Ao todo, serão três pareceristas por publicação.

Fonte: Social Science One

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