Está na hora de desmembrar o Facebook, diz co-fundador da rede social

Por Thaís Augusto | 09 de Maio de 2019 às 16h58
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"Está na hora de desmembrar o Facebook", escreveu um dos co-fundadores da rede social, Chris Hughes, em um editorial publicado pelo The New York Times nesta quinta-feira (9). Para Hughes, o órgão Federal Trade Commission (FTC, na sigla em inglês) deveria até reverter a compra do WhatsApp e do Instagram pelo Facebook para criar mais concorrência nos mercados de mídia social. Nos Estados Unidos, o FTC é responsável pela eliminação e prevenção de práticas comerciais anticompetitivas, como o monopólio coercitivo.

O co-fundador foi um dos colegas que ajudou Mark Zuckerberg a lançar o Facebook de seu dormitório em Harvard há 15 anos.

No editorial, Hughes usa o argumento econômico de que o Facebook se tornou um monopólio e que isso limitou a concorrência e atrasou a inovação. Ele diz que é impossível para os usuários mudarem para uma rede social alternativa porque não existem concorrentes sérios. "Nenhuma grande rede social foi lançada desde 2011". Hughes ainda ressalta que 84% dos gastos em anúncios de mídia social vão diretamente para o Facebook.

Co-fundador do Facebook, Chris Hughes. Imagem: Chester Higgins Jr / The New York Times

Mas o problema com o Facebook vai além da economia, argumenta Hughes. "Mark sozinho pode decidir como configurar os algoritmos do Facebook para determinar o que as pessoas veem em seus feeds de notícias, quais configurações de privacidade podem usar e até quais mensagens são exibidas. Ele estabelece as regras de como distinguir o discurso violento do meramente ofensivo, e ele pode optar por encerrar um concorrente adquirindo, bloqueando ou copiando-o".

Hughes diz que não há uma supervisão democrática dos processos. "O conselho do Facebook funciona mais como um comitê de consultoria do que um supervisor, porque Mark controla cerca de 60% das ações com direito a voto", diz.

"A influência de Mark é impressionante, muito além de qualquer outra pessoa no setor privado ou no governo. Ele controla três principais plataformas de comunicação – Facebook, Instagram e WhatsApp – que bilhões de pessoas usam todos os dias", alertou Hughes. "Mark é uma pessoa boa e gentil, mas estou com raiva porque seu foco no crescimento o levou a sacrificar a segurança e a civilidade por cliques".

Mark Zuckerberg e Chris Hughes na Universidade de Harvard em 2004. Imagem: Rick Friedman / The New York Times

Além de desmembrar a empresa, o co-fundador do Facebook pede que os Estados Unidos criem uma agência governamental para regulamentar empresas de tecnologia. Para Hughes, a agência deve ser encarregada de proteger a privacidade das pessoas, além de estabelecer diretrizes de como o Facebook pode operar.

Com o editorial, Hughes se junta a um número crescente de legisladores que estão pedindo o rompimento do Facebook. Em março, a senadora Elizabeth Warren disse que vai reduzir o tamanho e o poder de empresas como o Facebook caso eleita presidente em 2020. Outros, incluindo o próprio Zuckerberg, já pediram maior regulamentação das empresas de tecnologia.

"O Facebook entende que com o sucesso vem responsabilidade", disse o vice-presidente de Global Affairs e Comunicações do Facebook, Nick Clegg, em comunicado. "Mas você não impõe essa responsabilidade exigindo a cisão de uma empresa americana bem-sucedida. A responsabilidade das empresas de tecnologia só pode ser alcançada por meio da introdução diligente de novas regulações para a internet. Isso é exatamente o que Mark Zuckerberg tem pedido. Aliás, ele está se reunindo com líderes do governo nesta semana para dar continuidade a esse trabalho".

Fonte: The Verge e The New York Times

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