Criador do extinto Orkut diz que notícias e perfis falsos deveriam ser proibidos

Por Natalie Rosa | 02 de Abril de 2018 às 12h44
photo_camera BBC Brasil

Fundador da extinta rede social Orkut, que fez um enorme sucesso no início dos anos 2000, o engenheiro turco Orkut Büyükkökten concedeu uma entrevista à BBC Brasil para falar sobre a era das fake news que vem atormentando a mídia nos últimos meses.

Para Orkut, "estamos chegando a um ponto em que não acreditamos em mais nada do que lemos", se referindo à recente polêmica envolvendo o Facebook, que teve dados de 50 milhões de usuários aplicados em campanhas de publicidade a favor de Donald Trump. O engenheiro ainda foi veemente e disse que perfis e notícias falsas deveriam ser banidos das redes sociais.

"Na vida real, se você descobre que seu amigo mente o tempo todo, você vai querer continuar com essa amizade? Se você sabe que seu namorado está te traindo, você vai terminar o relacionamento. O mesmo vale para a internet. Não deveria ser permitido que alguém publique conteúdo falso e minta constantemente", desabafa.

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O Orkut, que foi uma das redes sociais mais populares no Brasil, acabou perdendo espaço para o Twitter e Facebook, sendo deixado de lado aos poucos até ser desativado de vez em 2014. Um dos motivos para o seu fim foi não ter acompanhado a chegada dos smartphones e aplicativos.

Mas com o fechar das portas, o engenheiro criou a rede social Hello com o objetivo de reunir pessoas com interesses em comum, contrariando a tendência das redes atuais que, segundo ele, vêm sendo usadas da forma errada não só na política. "Estamos criando uma geração infeliz e insegura, que tem problemas de imagem corporal, depressão, ansiedade. O bullying e o assédio online estão levando pessoas ao suicídio", diz o engenheiro.

Evitando as fake news

Orkut acredita que as redes sociais deveriam se esforçar mais para combater as notícias falsas, checando fatos e priorizando fontes de maior renome, culpando a rapidez com que as informações são compartilhadas. 

"Hoje, as notícias acontecem tão rápido que a decisão sobre o que é exibido para os usuários de rede social é feita de forma automatizada, com base em algoritmos e inteligência artificial. Não há pessoas de verdade checando, e isso faz com que o público seja exposto a notícias falsas. É preciso um equilíbrio", diz o engenheiro.

O empresário ainda conta que a Hello trabalha contra esse problema criando reputações para os usuários, com base em notas de comportamentos positivos ou negativos, e descobrindo as preferências de cada um com base em dados fornecidos pelo usuário e não em algoritmos.

Fake news nas eleições

Ao ser questionado sobre a polêmica do Facebook novamente, Orkut diz que "se informações assim são repassadas a um terceiro, é de se esperar que quem as compartilha tenha a obrigação moral de monitorar e garantir que elas sejam usadas de forma correta", citando ainda que a solução seria respeitar as políticas de cada rede social e impedir que esses dados sejam compartilhados pelas empresas sem consentimento do usuário. Orkut ainda alerta os usuários de que eles não devem compartilhar informações sem buscar por fontes concretas.

Quando questionado sobre as eleições brasileiras neste ano, Orkut diz que as redes sociais são capazes de impactar a população, mas que não é garantido que as informações vistas nestas redes serão capazes de afetar os resultados.

Fonte: BBC Brasil

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