Conheça o Mona Migs, plataforma para ajudar LGBTs que foram expulsos de casa

Por Raphael Andrade | 15 de Maio de 2016 às 13h55
photo_camera Divulgação

Mesmo com os avanços na luta contra a homofobia e a aceitação cada vez maior dos direitos das minorias, ainda são muitos os problemas enfrentados por homossexuais no núcleo familiar. Se você não conhece alguém, pelo menos já deve ter ouvido falar de casos em que um individuo é expulso de casa por causa de sua orientação sexual. Para tentar resolver essa questão, um grupo de estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) se uniu para criar o Mona Migs, uma plataforma voltada a conectar pessoas que podem oferecer ajuda para acolher pessoas LGBT que foram expulsas de casa.

O projeto teve início há menos de um mês, durante o Startup Weekend UFPE, evento que incentiva os participantes a criar uma empresa em um período de 54 horas. O conceito do Mona Migs nasceu devido a experiências vividas por pessoas próximas ao grupo, como explica o representante do projeto, Wallace Soares. "Alguns amigos das pessoas da equipe passaram justamente por esta situação semanas antes do evento, de serem expulsos de casa e não terem onde ficar. Daí houve toda uma mobilização para conseguir um lugar para essa pessoa ficar, então pensamos: por que não criar uma plataforma que conecte as pessoas que querem ajudar com as que estão passando por essas situações?".

A base do projeto foi criada durante o Startup Weekend. Lá, os participantes precisavam criar um MVP (menor produto viável) para que os investidores e mentores do evento pudessem avaliar. Desde então, o time por trás do Mona Migs, composto por quatro desenvolvedores, três designers e uma administradora, adicionou novos elementos ao projeto, como uma funcionalidade de chat em que, segundo Soares, as pessoas que oferecem ajuda querem conhecer melhor a história de quem foi expulso. O representante afirma que, mesmo com menos de um mês após a criação do projeto, a resposta tem sido extremamente positiva.

"Durante o evento, nós fizemos algumas pesquisas que validaram a quantidade de pessoas que gostariam de ajudar. Tivemos 574 respostas em menos de 6h após o formulário ser lançado e constamos que 75% dos participantes tinham receio de contar à família sua orientação sexual e serem expulsos", disse Soares.

Atualmente, o Mona Migs está fazendo um pré-cadastro via site e Facebook com os interessados em ajudar a causa. Em três dias, já são mais de 50 dispostos. Na página do Facebook depoimentos são colhidos para dar voz à questão.

O projeto já conta com o apoio do movimento Recife Livre, que busca fortalecer o combate ao preconceito na capital de Pernambuco. Além dele, psicólogos, advogados e ONGs também apoiam o projeto.

O Mona Migs ainda não tem data para entrar no ar, por conta de questões legais e de segurança de dados, mas a equipe garante que está trabalhando o mais rápido possível para colocar a plataforma na ativa. Nesse meio tempo, o grupo se empenha no trabalho de conscientização de direitos. "Um dado bem crítico que registramos foi que 97% das pessoas que participaram da pesquisa disseram que não sabiam da existência de centros de apoio nas suas cidades, então nós também vamos ligar essas pessoas que foram expulsas a esses centros para que elas tenham uma orientação", explicou Soares.

Curtiu a causa? Para conhecer mais é só acessar o site ou a página oficial do projeto no Facebook.

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