Bots | Usuários estão ampliando alcance de campanha de robôs contra Greenwald

Por Rafael Arbulu | 04 de Julho de 2019 às 14h33
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Você pode estar ajudando a propagar e amplificar a audiência de bots nas redes sociais. Segundo post analítico publicado pelo dfndr lab em sua página no Medium, casos onde ferramentas automatizadas da internet encontram volume graças ao compartilhamento de posts delas por meio de usuários reais estão mais evidentes, cortesia da situação vivida pelo jornalista Glenn Greenwald após as matérias veiculadas pelo site The Intercept Brasil, envolvendo supostas irregularidades do ex-juiz e atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O laboratório de segurança digital pertencente à PSafe ressalta que há uma campanha clamando pela deportação de Greenwald, que vive no Brasil há 14 anos e co-fundou o Intercept. O caso veio à tona após a publicação de matérias contendo supostas mensagens do Telegram, nas quais conversas atribuídas a Sérgio Moro e o Procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, mostram uma ação conjunta para conduzir os rumos jurídicos da Operação Lava-Jato — uma ação considerada ilegal pela legislação brasileira.

Falando do caso em si, o dfndr lab explica que “este é mais um exemplo de uma campanha direcionada a um jornalista pelo seu trabalho, mas o tráfego de apoio dela foi amplamente disseminado por bots e inadvertidamente amplificado por usuários reais rejeitando a sua premissa”. O laboratório de especialistas analisou uma das hashtags mais populares da campanha, veiculada no Twitter: “#DeportaGreenwald”, que chegou aos assuntos mais discutidos da plataforma (Trending Topics) e ganhou certa cobertura da mídia brasileira.

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O jornalista americano Glenn Greenwald, vencedor do prêmio Pulitzer e residente no Brasil há 14 anos, é alvo de campanha que pede pela sua deportação nas redes sociais: site que ele co-fundou veiculou matérias denunciando o Ministro Sérgio Moro por suposto comportamento alheio à legislação em relação à Operação Lava-Jato

A análise não se acanha de mostrar também como até mesmo os usuários críticos à campanha acabam contribuindo para a sua amplificação, por meio de compartilhamentos integrais e retuítes das tags em um post “original”.

Pela análise, a maior parte dos tuítes que continham a hashtag exibiu comportamento que sinalizou tratar-se de um perfil “robô”. Um dos usuários em questão, “@Vnia60277936”, por exemplo, usou a hashtag mencionada acima 294 vezes em um período de quatro horas e meia. A conta, segundo o laboratório, é extremamente ativa, postando uma média de 577 tuítes por dia. Pelos parâmetros do dfndr lab, contas que tuítam acima de 144 vezes diariamente têm grande probabilidade de serem bots. Em 2 de junho, essa mesma conta foi ainda mais ativa, tuitando aproximadamente 1,7 mil vezes em nesse dia.

Mais além, a conta possui uma handle (o nome que se dá à “@” de um perfil nas redes sociais) alfanumérica. Segundo o laboratório, isso pode ser proveniente de um gerador automático de nomes de usuário, outro sinal de automatização de perfil. Muitos bots são criados desta forma, comumente por um mesmo dono, a fim de amplificar artificialmente um ou mais posts dentro das plataformas.

Gráfico de análise de conta no Twitter mostra alto comportamento de automatização, ou seja, é um bot (Imagem: Luiza Bandeira, via dfndr lab)

A referida conta também exibiu comportamento de postagem análogo à automatização: algo próximo de 99% de suas postagens eram tuítes ou retuítes, sem nenhuma criação original e quase nenhum compartilhamento comentado. Isso, segundo o dfndr lab, tem a serventia de amplificar a audiência de uma mensagem específica e é característico em quase todas as contas falsas.

Duas ferramentas consultadas pelo dfndr lab — Botometer e a brasileira PegaBot — afirmam que a conta em questão é mesmo um bot: a primeira atribuiu 3,5 pontos (em uma escala até 5) de chance de ferramenta de automatização em curso, enquanto a segunda afirmou com 100% de precisão tratar-se de um perfil falso.

Finalmente, essa mesma conta publicava dois tuítes que não faziam parte de nenhuma thread, com apenas um segundo de tempo separando as postagens. Segundo um parceiro do dfndr lab, a Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), isso é uma “forte evidência” de uso de ferramentas de automação, haja vista que é praticamente impossível que um usuário humano consiga ter essa frequência de postagens sem o auxílio de serviços automáticos.

Análise da ferramenta Botometer conclui que conta avaliada pelo Dfndr Lab tem grande probabilidade de ser um robô (Imagem: Luiza Bandeira, via dfndr lab)
Ferramenta brasileira PegaBot também foi consultada pelo dfndr lab, concluindo com 100% de certeza de que conta avaliada é um bot (Imagem: Luiza Bandeira, via dfndr lab)

Retuítes

Após estabelecer o ponto de origem como um bot, o dfndr lab mostra como usuários reais, mesmo os críticos da campanha “#DeportaGreenwald”, acabaram contribuindo para o seu crescimento na plataforma de microblogs. Um exemplo citado foi o escritor, dramaturgo e jornalista Marcelo Rubens Paiva, que publicou um retuíte com a hashtag e comentando estar preocupado com a segurança de Glenn Greenwald. Sua postagem gerou mais de 2 mil retweets.

O texto do dfndr lab finaliza com um lembrete de que até mesmo aqueles com as melhores das intenções podem facilmente atrair mais atenção para aquilo que buscam criticar ou denunciar, com o tiro saindo pela culatra.

Tuítes de pessoas reais, mesmo críticas à hashtag exibida, contribuíram para o aumento de sua propagação na rede de microglobs (Captura de Imagem: Luiza Bandeira, via dfndr lab)

Fonte: Dfndr Lab, via Medium

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