A “cultura de cancelamento” foi eleita como termo do ano em 2019

Por Felipe Demartini | 02 de Dezembro de 2019 às 10h53
Shutterstock/Pepsco Studio

A “cultura de cancelamento” foi eleita como o termo do ano pelo Dicionário Macquarie, um dos responsáveis por selecionar anualmente as palavras e expressões que mais moldaram o comportamento humano. Trata-se de uma eleição que leva em conta a língua inglesa, mas que, por meio das redes sociais e da comunicação, sempre acaba escorrendo para outros idiomas — como o próprio destaque de 2019 comprova.

Movimento que tem força principalmente nas redes sociais, a cultura do cancelamento envolve uma iniciativa de conscientização e interrupção do apoio a um artista, político, empresa, produto ou personalidade pública devido à demonstração de algum tipo de postura considerada inaceitável. Normalmente, as atitudes que geram essa onda são do ponto de vista ideológico ou comportamental.

Nas palavras do Dicionário Macquarie, a cultura do cancelamento é “um termo que captura um aspecto importante do estilo de vida deste ano. Uma atitude tão persuasiva que ganhou seu próprio nome e se tornou, para o bem ou para o mal, uma força poderosa”. O termo é selecionado por um comitê de linguistas, especialistas e teóricos selecionados pela instituição, encabeçando uma lista de quatro que também é submetida à votação do público.

As menções honrosas ficaram para termos como “eco-ansiedade”, uma preocupação com o meio-ambiente e os rumos do planeta que se reflete em ataques de pânico, gatilhos, pensamentos obsessivos, insônia, exaustão e outros sintomas, bem como “ngangkari”. O termo, incorporado no inglês australiano se refere aos curandeiros de tribos aborígenes do país e ganhou atenção não apenas por seus métodos ganharem espaço no país, como também por não ter sido traduzido ou anglicizado, mantendo suas raízes tradicionais ao ser adicionada ao vocabulário.

A última eleita foi “thicc”, palavra que tem raízes africanas e se refere a um estado de espírito voltado à positividade corporal e não conformidade com padrões estéticos. As quatro, agora, partem para uma votação pública cujos eleitos serão conhecidos no dia 10 de dezembro, seja para corroborar a visão dos especialistas ou mostrar a visão da população em geral, elegendo, por fim, os termos que realmente definiram o ano de 2019.

Caso você esteja estranhando a citação de um termo como “palavra do ano”, essa também é uma tradição quando falamos do Dicionário Macquarie. Em 2018, por exemplo, a instituição escolheu “me too”, em alusão ao movimento contra o assédio sexual e agressão de mulheres, enquanto a escolhida em 2017 foi “milkshake duck”, uma espécie de precursor da atual cultura do cancelamento que se refere a alguém cuja imagem pública ou intenções parecem puras, mas acabam sendo desmascaradas de alguma maneira.

Fonte: Dicionário Macquarie

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