Facebook manipulou feed de 600 mil usuários para fazer experimento social

Por Redação | 30 de Junho de 2014 às 12h24

O Facebook utiliza as informações de seus usuários para diversos fins, e concordamos com isso ao aceitar os termos de uso da rede social. Quando concorda, você cede o direito ao Facebook de analisar seus hábitos para fazer direcionamento de conteúdo na timeline, seja publicitário ou não. Utilizando essa brecha, cientistas da rede social publicaram uma pesquisa em março na Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que manipulou o feed de 600 mil usuários, incluindo um conteúdo mais positivo ou negativo para ver como isso influenciava as publicações da própria pessoa, informa artigo do Wall Street Journal.

Segundo os pesquisadores, a intenção era boa: entender, seguindo um viés psicológico, como era o comportamento desses usuários no site. Após a alteração no feed de notícias, eles analisavam o conteúdo "publicado pelo usuário" com o objetivo de compreender se o que vemos nas redes sociais realmente afeta como nos sentimos, e se isso realmente influencia nossas emoções.

Mark Zuckerberg

A pesquisa conclui que somos sim influenciados pelo que aparece no nosso feed, uma vez que ele é capaz de manipular o que sentimos, positiva ou negativamente. Para a ciência, essa pode ser uma forma de identificar padrões psicológicos em massa e entender as novas formas de relacionamento que afetam as sociedades modernas; no entanto, usuários que tiveram seu feed manipulado para um experimento não pareceram tão felizes assim.

Ratos de laboratório

O blog Animalnewyork.com, que chamou atenção para o estudo, publicou que o que temíamos já está acontecendo e que o Facebook está usando seus usuários como "ratos de laboratório", não apenas para publicidade, mas também para mudar suas emoções.

O cientista que liderou a pesquisa, Adam Kramer, afirmou em sua página no Facebook no domingo que os resultados obtidos podem não justificar o método empregado para sua realização. No entanto, alguns anos antes, o próprio Kramer afirmou gostar de trabalho no Facebook porque era o maior banco de dados sobre o comportamento humano no mundo.

A Equipe de Dados Científicos do Facebook já é conhecida por seus experimentos sociais. Ela é encarregada de transformar informações aleatórias dos mais de 800 milhões de usuários da rede em conteúdo para pesquisa científica utilizável, além de direcionar boa parte destes dados a publicidade e a posts direcionados.

Kate Crawford, professora visitante do MIT e pesquisadora da Microsoft Research, afirmou que é inaceitável forçar que todos que concordem com os termos do Facebook participem dessas experiências. Para ela, o problema envolve a questão da ética na indústria de ciência de dados que precisa ser uma parte mais importante da área. Internautas e sites classificaram o experimento como “antiético” e “assustador”, devido à manipulação emocional dos usuários desavisados.

O Facebook defendeu que o estudo foi conduzido de forma anônima, para que os pesquisadores não tivessem acesso aos nomes dos usuários pesquisados. Outra afirmativa foi que o estudo buscou entender uma antiga reclamação dos usuários da rede que afirmavam que ver as maravilhas que outras pessoas postavam fazia com que eles se sentissem mal com a própria vida, afirmativa que, no entanto, foi rejeitada segundo o estudo.

O perfil do Facebook de Kramer recebeu uma série de comentários de diversos tipos. Há quem tenha afirmado apoiar a declaração dele, mas discordar do experimento realizado. No entanto, como já foi dito antes, ao aceitar os termos de uso, o usuário aceita que este tipo de manobra seja realizada pelo Facebook. Em outras palavras, concorda que pode, sim, ser usado como os tais "ratos de laboratório".

Inscreva-se em nosso canal do YouTube!

Análises, dicas, cobertura de eventos e muito mais. Todo dia tem vídeo novo para você.