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5 razões que tornam Calvin e Haroldo uma tirinha de jornal genial

Por| 26 de Junho de 2023 às 18h20

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Bill Waterson
Bill Waterson

Calvin e Haroldo, de Bill Waterson, é uma das tirinhas de jornal mais inovadoras de todos os tempos. As HQs ganharam o mundo e foram publicadas em mais de 2 mil jornais, de 1985 a 1995, e ganharam vários volumes de livros, nos mais variados formatos. Mas o que torna as aventuras do garotinho e seu bichinho de pelúcia “vivo” tão geniais assim?

Abaixo estão cinco razões que explicam o sucesso de Waterson e seus “filhos”:

1. Estilo de traço amigável e maestria na narrativa

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Waterson tem a mão bastante leve, e assim como nossa Laerte, essa leveza sugere, de forma natural, o movimento dos personagens — parece que estamos assistindo a um desenho animado. Ele é bem preciso, e cada linha tem uma função em uma composição aparentemente simples, e bastante poderosa. Essa qualidade atrai leitores de qualquer idade, e apresenta melhor o universo lúdico de Calvin e Haroldo.

Waterson também muda o ritmo e até mesmo os traços quando precisa criar um diferente de espírito do menino protagonista, ou quando cria seus mundos imaginários, onde planetas e criaturas se misturam com as reflexões sobre relacionamentos e o cotidiano dos adultos. Sua narrativa faz com que possamos nos divertir com a ação, sem deixar para trás o carisma de Calvin e Haroldo e os questionamentos que eles fazem.

2. Temas sérios tratados com uma “leveza subversiva”

Calvin é um garotinho muito inteligente e “sem filtro”, o que oferecia a Waterson um “parque de diversões” de questionamentos sobre a sociedade. O comportamento puro, inconsequente e impulsivo do menino desconstroi as convenções sociais sem agredir o leitor.

Por exemplo, para zombar da arte moderna, Calvin cria uma série de bonecos de neve homicidas que deixariam Goya orgulhoso. A mortalidade era representada pelos seus personagens em uma carroça ou tobogã descendo uma colina. Suas tirinhas estão repletas de sátiras subversivas sobre o american way of life.

3. Respeito à infância e ao poder da imaginação

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Assim como nenhum outro diretor de cinema conseguiu captar a alma adolescente como John Hughes, Waterson consegue transformar em tirinhas o universo lúdico e assustador da infância de qualquer um. É impossível você não se enxergar em algum momento calçando os sapatos sujos de Calvin entrando pela cozinha e sendo repreendida pela sua mãe — no caso, o menino tinha acabado de tomar um banho de lama depois de acreditar ter se transformado em um elefante.

Para conseguir esse resultado, Waterson mergulhou no poder da imaginação de uma criança, que, mesmo sem a maldade de querer mentir, pode dizer para a mãe que não quer ir para a escola porque ela ficou sabendo em suas aventuras pessoais que o colégio explodiu em uma invasão alienígena. Qualquer caixa de papelão se tornava uma máquina do tempo ou carros de corrida pelas mãos do artista.

4. A independência de Watterson

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Waterson já admitiu que não gosta de trabalhar em equipe, muito menos de deixar sua criação nas mãos de outras pessoas. Ele é famoso por trabalhar de forma independente, e de recusar o licenciamento para merchandising — para ter uma ideia, ele até mesmo se negou a ceder os direitos para uma adaptação de Steven Spielberg. Além disso, o artista sempre lutou pelo controle criativo de suas tirinhas junto a todos os jornais e editoras.

Embora esse comportamento limite o volume de conteúdo e as oportunidades de Calvin e Haroldo junto a um público ainda mais amplo e em mais lugares, também ajudou Waterson a manter a alta qualidade das tirinhas e dos livros, do começo ao fim.

1. Calvin e Haroldo manteve a própria fidelidade até o final

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A combinação da perspectiva infantil de Calvin com grandes ideias e as realidades da infância fizeram de Calvin e Haroldo uma tira única. Dá para sentir o carinho de Waterson em cada tirinha, que, embora ele mesmo tenha admitido não ter feito pensando nos outros, ainda assim consegue simpatizar com qualquer um.

Waterson resistiu ao máximo com sua visão, sem nunca ceder à ganância corporativa. Aliás, uma das razões de a tirinha ter acabado em 1995 foi justamente porque o United Featured Syndicate, o sindicato de artistas ao qual ele era afiliado, pressionava-o em prol do licenciamento de seus personagens.

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Esse controle autoral tornou a sátira mordaz o humor para todas as idades e a lembrança sincera da infância em uma obra atemporal e genial.