"Robôs deveriam ganhar salário mínimo", diz empresário; entenda estratégia
Por Wendel Martins |

Charles Radclyffe, fundador de uma empresa de automação no País de Gales, defende uma proposta inusitada para conter o avanço da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho: cobrar das empresas um "salário mínimo por robô" cada vez que usarem IA no lugar de um funcionário humano.
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A ideia funciona como um imposto sobre a adoção da tecnologia, criando um freio econômico que daria ao governo tempo para reagir às transformações no emprego.
A lógica por trás da proposta é direta. A empresa de Radclyffe desenvolve software que conclui tarefas administrativas em segundos, como preenchimento de formulários e entrada de dados em planilhas.
O mesmo trabalho levaria duas semanas para um ser humano. "Cada vez que faturamos por um mês de trabalho de IA, é um emprego que saiu da economia e foi para um data center", afirmou o empresário.
Empresário aponta para o risco de desemprego por causa da IA
Radclyffe não defende que as empresas estejam demitindo em massa agora, mas aponta um movimento silencioso: as contratações diminuem porque as vagas simplesmente deixam de surgir.
O risco, segundo ele, é uma geração de trabalhadores que pode ficar fora do mercado "pelo resto da vida", especialmente profissionais de escritório em cidades como Cardiff. "É mystifying como não temos um plano pronto caso as piores previsões se confirmem", disse.
A proposta do imposto serviria como uma alavanca regulatória, pois se o impacto no emprego se tornasse grave, o governo teria um mecanismo para "throttle" a adoção da IA e nivelar o campo de jogo entre tecnologia e trabalho humano.
Contudo, nem todos no setor concordam com a fala do executivo. Oliver Conger, diretor de uma fabricante de sensores industriais no País de Gales, diz que sua empresa já opera com IA integrada à equipe humana e viu produtividade crescer mais de 20% em dois anos. Para ele, o foco deve estar em requalificação e adoção responsável.
"Ainda estamos no início. Vamos encorajar o uso", afirmou, defendendo que qualquer regulação chegaria cedo demais.
O governo britânico disse que está "monitorando" os impactos da IA e criará um Instituto de Economia de IA para acompanhar as mudanças e agir rapidamente caso necessário.