Robô humanoide da XPENG “nasce” e já sai andando sozinho da fábrica
Por Bruno Bertonzin |
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O robô humanoide Iron, da fabricante chinesa XPENG, deu seus primeiros passos logo após sair da linha de montagem. Assim que teve a produção concluída, o humanoide deixou a fábrica por conta própria, sem depender de controle remoto.
A cena ganhou até um toque simbólico. He Xiaopeng, presidente e CEO da XPENG, entregou um crachá de funcionário ao Iron após o robô deixar a linha de produção. O episódio também marca uma nova etapa do projeto, já que a empresa pretende iniciar a produção em massa do humanoide no final deste ano.
Iron saiu sozinho de uma linha com 80% de automação
A unidade que aparece na demonstração saiu de uma nova linha dedicada à produção do Iron. Segundo a XPENG, mais de 80% dos principais processos usados na fabricação dos robôs são automatizados.
A fabricante também aproveita parte da experiência acumulada com seus carros elétricos. Processos de controle de qualidade usados na divisão automotiva foram adaptados para a linha do Iron, com foco na padronização da montagem.
“O passo de hoje é pequeno, mas a XPENG está construindo as linhas de produção para uma categoria de produtos inteiramente nova”, afirmou He Xiaopeng.
Apesar de a caminhada logo após a montagem chamar atenção, a XPENG não informou quantas unidades a fábrica consegue produzir atualmente ou quantos testes o Iron recebeu antes de deixar a linha de produção.
Como o robô da XPENG consegue andar sozinho?
O Iron foi desenvolvido para executar movimentos sem depender de um operador remoto. O humanoide possui 76 graus de liberdade distribuídos pelo corpo, além de 21 graus de liberdade em cada mão.
Essa estrutura dá ao robô capacidade para realizar movimentos mais complexos e manipular objetos em ambientes originalmente projetados para pessoas.
O processamento fica por conta de três chips de inteligência artificial Turing. Juntos, eles oferecem capacidade de até 2.250 TOPS, o equivalente a 2.250 trilhões de operações por segundo.
O processamento ocorre no próprio Iron, o que dispensa um controle remoto e reduz a latência entre comandos, decisões e movimentos. A XPENG ainda adotou uma estrutura externa flexível, pensada para tornar mais seguro o contato físico com pessoas.
Até agora, porém, a empresa não divulgou certificações ou avaliações independentes de segurança do humanoide.
Primeiro “emprego” será dentro da própria XPENG
Antes de chegar a outros clientes, o Iron deve começar a trabalhar dentro da própria XPENG. A fabricante pretende colocar unidades do humanoide em recepções, showrooms e campi da companhia.
Entre as primeiras funções previstas estão receber clientes, auxiliar nas vendas e conduzir visitas guiadas. São tarefas que colocam o robô em contato direto com pessoas, mas dentro de ambientes mais controlados.
As primeiras entregas comerciais estão previstas para 2027, tanto na China quanto em outros mercados. A XPENG ainda não revelou quanto o Iron custará ou se pretende vendê-lo nos Estados Unidos.
Sair andando da fábrica é só o primeiro passo
A demonstração chama atenção justamente pela cena incomum: o Iron deixa a linha de produção sobre as próprias pernas logo após ser montado. Ainda assim, isso não significa que o humanoide já esteja pronto para assumir longos turnos de trabalho.
A XPENG não revelou dados sobre resistência em jornadas prolongadas, nem demonstrou como o robô reage a situações imprevisíveis com clientes. O alto poder de processamento também não garante, sozinho, que o Iron consiga lidar com todos os imprevistos de um ambiente real.
Ainda há, portanto, etapas importantes antes da estreia comercial. Por enquanto, a XPENG conseguiu transformar o fim da linha de montagem em uma apresentação bastante simbólica: o Iron “nasceu”, recebeu seu crachá e saiu andando sozinho da fábrica.